Internacional

Postado em 07/09/2017 10:45

Na luta contra a Síria, Israel apoia Al Qaeda

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Tradução: Diário Liberdade] Recuperamos um interessante texto da especialista iraniana em temas do Médio Oriente, de 2015, sobre o papel e interesses de Israel na guerra multinacional da Síria.

Nazanin Armanian

Confirma-se o que tinha sido riscado como outra “teoria da conspiraçom”. É esta a verdadeira conspiraçom desenhada para desmantelar o Estado sírio: desde 2011, Israel presta apoio militar e logístico a Al Qaeda na Síria. A publicaçom da foto de Netanyahu com um ferido “rebelde” sírio num hospital militar israelita dos Altos de Golan, datada a 14 de fevereiro de 2014, forçou jornais como The Wall Street Journal, The Times of Israel ou The Daily Beast a justificar ou analisar o que parecia incrível: um político que risca de terroristas os islamistas do Irám e de Hamas e pede ao mundo que sejam bombardeados, dando a mao a um “terrorista islámico” que ao que parece deseja “apagar Israel da face da terra”. Antes deles, As Forças das Naçons Unidas de Observaçom da Separaçom (FNUOS), instaladas no Golám, tinham informado da “interaçom” entre o exército israelita e a frente al-Nusra (Al Qaeda), que é a força dominante entre os “Contra-Sírios” da zona. Desvelar este segredo no seu facebook custou ao veterano ativista druso Ahmad Makat, que já tinha passado 27 anos da sua vida nas prisçons israelitas, umha nova detençom no fevereiro do 2014. Na nova versom da “coexistência pacífica” o quartel dos alqaedistas fica a pouca distáncia da base militar de Israel no Golám.

. A explicaçom oficial é “prestar ajuda humanitária” a uns seres humanos num conflito bélico. Incrível o ataque de sensibilidade de um regime que pratica um despiadado genocídio contra os civis desarmados palestinianos, incluídas as crianças, e que é o único país vizinho da Síria que nom acolhe refugiados. Nom está Al Qaeda acusada de realizar atentados nos EUA, Europa e o resto do mundo, matando milhares de pessoas? Ou por trás desta formosa amizade, como diz Amos Yadlin, o ex diretor da inteligência militar israelita, os jihadistas “oferecem algumhas oportunidades estratégicas para Israel”. Yadlin tampouco confessa as 23 verdades desconfortáveis sobre os jihadistas, como a Nova Arma de Destruiçom Em massa (NADM) que manipulam. Israel introduziu um número indeterminado de palestinianos colaboracionistas nas fileiras jihadistas, para que enquanto se convertem em carne de canhom dos seus interesses, cubram o seu terror com umha névoa de “legitimidade” e simpatia ante os ingénuos.

Nom é que o fim justifique os meios

“Israel deve esmagar toda Gaza como EUA destruiu Hiroshima”, é o conselho de Gilad Sharon, o filho do Carniceiro de Sabra e Shatila, e o mesmo que prefere ter nas fronteiras de Israel os decapitadores e violadores do Estado Islámico que umha Hezbollah pró-iraniana. Trata-se de “pescar na água revolta” ou de revolver as suas águas com o intuito de pescar qualquer cousa. Os jihadistas, os chamados NADM, servem para converter a vida e a civilizaçom em cinza em Gaza, Iraque, Afeganistám, Líbia, Iémen, Rússia entre outros objetivos dos seus fabricantes, esses bombeiros pirómanos. Para um Israel cuja pretensom de expandir a sua hegemonia desde o Éufrates até o Nilo, nom corresponde com o seu poder militar e político, um “proxy” como os discípulos de Bin Laden é umha eficiente estratégia.

Durante a guerra contra o Iraque, Donald Rumsfeld criou o Grupo de Operaçons Pró-ativas e Preventivas (P2OG), cuja tarefa era realizar atentados de bandeira falsa para depois justificar umha reaçom de represália, mantendo a “guerra permanente” dos EUA polo mundo. Umha das possíveis obras do P2OG foi a atribuída ao Estado Islámico na Catedral Sayedat al-Naja no Iraque, a 10 de novembro do 2010, massacrando uns 60 cristaos, sunitas e xiítas. Pretendia-se manter instável o Iraque, impedir a sua reconstruçom, difundir o terror e provocar ódio entre os sunitas, xiítas e cristaos.

Objetivos israelitas na Síria

No curto prazo

– Anexar os Altos do Golám sírio, e assim se combinar com a sua água, como um passo para o controlo dos recursos hídricos dos vizinhos. De facto, os jihadistas já controlam o curso dos rios Tigris e Éufrates no Iraque e na Síria. O Plano Yeor, desenhado em 1974, prevê desviar a água do Nilo a partir da ocupada Gaza. “Estabelecer umha zona de segurança hidráulica” e controlar os recursos hídricos do Líbano foi um dos objetivos do Plano Oranim, apelativo da invasom israelita ao Líbano em 1982. A conquista da água também foi um dos fatores da destruiçom do Estado líbio em 2011 pola NATO: ali está a segunda reserva da água doce do mundo.

– Destroçar o eixo de resistência, composto por Irám-Síria-Iraque-Hizbolá, que se conseguiu.

Em longo prazo

. Convertendo dito eixo em diminutos enclaves étnicos e religiosos incapazes de questionar a sua hegemonia na regiom, que é o mesmo que o “plano B” da agenda de Obama para a Síria.

Israel e a intervençom russa na Síria

– Tendo em conta que o objetivo estratégico de Tel Avive na Síria nom é derrocar a Bashar ao Assad, senom romper o país, possibilita alcançar um acordo com Moscovo, de aceitar a sua influência (e manter a sua base militar em Tartus) na região alauita da Síria, após a sua desintegraçom oficial. De facto, a entrada militar da Rússia na cena forçará a EUA intensificar o seu apoio aos “Contras” e estabelecer a zona de exclusom aérea “desde fronteira de Turquia ou desde Os Altos do Golán”, passo prévio a balcanizar o país.

– Os ataques russos estám a forçar a fugida de umha parte dos jihadistas para o Iraque e Turquia, aumentando a instabilidade destes rivais de Israel.

– Rússia está a liderar a coligaçom “Pró-Assad”, mirando um golpe significativo à imagem e as táticas desenhadas por Teerám como o principal valedor do presidente sírio. O qual lhe assegura a Tel Avive que as forças iranianas e libanesas, nom só nom atuarão contra Israel senom que desalojassem Síria umha vez que termine o conflito. Moscovo apoiou durante anos as multas impostas por EUA contra o Irám “a primeira reserva mundial do gás”, polo que fará todo o possível para que nenhum dos dois projetos de gaseoducto, o do Irám-Iraque-Síria e o de Qatar-Arabia Saudi-Iraque-Síria se levasse a cabo. É umha estranha realidade que as relaçons de Netnayahu com o “amigo Putin” é muito melhor que com Barak Obama, quem neste caso tenta aumentar o peso do Irám em prejuízo de Arabia e de Israel.

– A luita contra os jihadistas alias NADM voltou a acercar a Iraque e Rússia, pela primeira vez depois da queda da URSS. Feito com que beneficiaria a Israel e Arabia Saudi em prejuízo do Irám, mas também de EUA.

– Síria tem relegado a guerra total do regime de Netanyahu em marcha contra a Palestina e pujo fim ao debate sobre dous Estados.

O futuro da Síria

O melhor palco sírio para Tel Avive foi antes da intervençom russa, quando o conflito se tinha enquistado, e poderia durar em alguns anos mais, desgastando todos os países da regiom, salvo Israel. Assim aconteceu com a guerra entre Irám e Iraque (1980-1988), desenhada no enquadramento da doutrina de Dual containment «Dupla contençom», por Henry Kissinger, cujo objetivo era impedir o desenvolvimento económico, político, social e militar do Irám e Iraque, a benefício de Israel. Agora que Iraque voltou à Idade de Pedra, Irám é o principal motivo dos 1+12 razons da guerra contra Síria. Já vêem, quando o neocon Richard Perle propunha em 1996 que ?Israel em cooperaçom com Turquia e Jordánia, deve debilitar a Síria e eliminar o poder de Saddam Hussein no Iraque? falava de um plano está a executar-se passo a passo, dissolvendo Síria e Iraque, como Estados, como naçons.

Com a destruiçom total do país e a sua sociedade, qualquer palco na Síria será favorável a Israel: a sua partiçom em mini estados; converter num sistema confessional parecido com o do Líbano, e inclusive a sua descida ao inferno do “Estado frustrado”, já que sempre é melhor que ter um Estado forte como vizinho. Os sírios convertêrom-se na segunda populaçom de refugiados maior do planeta, após os esquecidos palestinianos. Será por acaso que ambos os povos compartilham fronteira com Israel? De facto, assi é, e o pequeno país judeu, para se converter em superpotência, precisará três elementos:

– Território

– Petróleo

– Água

E os elementos encontram-se nos países vizinhos.

É umha “conspiraçom ideológica” que Israel equipar o seu direito a existir com as suas pretensons hegemónicas, deixando terras queimadas por onde avança.

Agora, e junto da Arábia Saudita e Turquia, ponhem o último prego ao caixom da doutrina de Obama baseada em conter a China, retendo-a Médio Oriente para que garanta as suas supremacias em frente a um gigante como o Irám. Pequim, feliz, olha como as outras grandes potências afogam no pequeno “sírio”.

A ultradireita israelita vive umha miragem, apesar de ter executado quase à risca o Plano Yinon de fazer desaparecer os rivais de Israel, porque desconhece a dialética e também a dinámica dos vasos comunicantes numha regiom altamente volátil.

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