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Terça , 02 de Setembro de 2014
Postado em 02/11/2011 ás 09:58

São Felipe é o maior produtor de araruta da Bahia

 
A agricultura é a principal atividade econômica do município de São Felipe, no Recôncavo Baiano, com destaque para as culturas da mandioca, cana-de-açúcar, amendoim, e mais recentemente com o plantio orgânico da araruta. Com a revitalização desta cultura, o município já se destaca como o maior produtor de araruta do estado da Bahia. Negligenciada durante anos, a araruta quase chegou à extinção no Brasil, principalmente por causa da massificação do polvilho de mandioca, e das farinhas de trigo ou milho, na culinária dos lares e restaurantes e nos produtos industrializados. Porém, em 2008, o agricultor de Conceição do Almeida, Pedro Coni, impressionado com os benefícios da araruta, procurou a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical para que o apoiassem no cultivo e produção da planta. Com o apoio e assistência técnica dos técnicos da EBDA, empresa vinculada à Secretaria Estadual da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), e entusiasmado com as potencialidades da araruta, Coni passou a estimular outros agricultores da região e a diversificar os produtos feitos com araruta. O agricultor familiar Raimundo da Cruz, atualmente o maior produtor de araruta na região, está gostando muito de cultivar a araruta. “Comecei com 23 pés, hoje tenho mais de 30.000 pés”, conta com orgulho Cruz. “Os agricultores confiaram no trabalho da EBDA e estão produzindo. Agora, é discutir a organização para a sua comercialização”, destaca a técnica agrícola da EBDA em São Felipe, Jalmira Barbosa da Silva, que presta assistência técnica a aproximadamente 40 famílias produtoras de araruta da região. A fécula, também conhecida como amido ou polvilho, é o principal produto gerado pelo processamento do rizoma da araruta - espécie de caule de cor clara, em forma de fuso, coberto por escamas e que varia de 10 a 30 centímetros. Parente do gengibre, da banana, e da cúrcuma, a variedade “comum” da araruta é a mais difundida e produz fécula de melhor qualidade. A partir da fécula da araruta, que é de textura fina e delicada, podem ser produzidos bolos, mingaus, sequilhos, doces finos e muitos outros alimentos que dissolvem na boca. Leve e de fácil digestão, cada 10 gramas de fécula fornece 340 calorias e em sua composição é encontrada, por exemplo, a vitamina B1, proteínas, ferro, cálcio, fósforo. Também parente da helicônia, cana-da-índia e outras plantas, a araruta pode ser usada como planta ornamental. O agricultor Pedro Coni, que atualmente é presidente da Associação dos Produtores Orgânicos do Recôncavo Baiano (Aporba), destaca a diversidade de produtos não-alimentícios que podem ser produzidos com a araruta. “Pode-se fazer cosméticos, vasos para plantas, papéis, artesanato com a fibra, e muitas outras coisas”, afirma Coni. A planta Planta herbácea de porte baixo, cujo nome científico é Maranta arundinacea, a araruta é cultivada há mais de 7.000 anos, com destaque aos índios no Brasil antes da chegada dos portugueses. Originária das regiões tropicais da América do Sul, a planta encontra no Brasil ótimas condições climáticas para seu cultivo e seu tamanho varia de 60 a 120 centímetros. “A araruta deve ser plantada em sulcos ou em covas, durante a estação das chuvas, em solos arenosos, profundos e rico em matéria orgânica (ou adubado organicamente)”, explica o engenheiro agrônomo e técnico da EBDA de Cruz das Almas, Jorge Silveira, que também faz estudos e pesquisas sobre a planta. A grande particularidade dos alimentos feitos com araruta é que eles não contém glúten. Assim, pessoas que sofrem da doença celíaca (intolerância ao glúten) podem consumir os produtos. Filha de agricultor familiar, Maria de Oliveira Alves (Dona Ouro), moradora de São Felipe e atualmente com 68 anos, afirma que, junto com Deus, a araruta salvou sua vida. Depois de uma série de complicações provenientes de uma cirurgia, onde foi retirada parte do intestino, Maria Alves, foi acometida por uma diarréia crônica. “O médico disse que não tinha mais jeito para a diarréia. Eu estava desenganada”, afirma Maria Alves. Foi então que passando por um pé de araruta, Dona Ouro se lembrou de que quando era criança, a farinha da planta era utilizada para fazer mingaus para curar a diarréia. “Providenciei a farinha, fiz uso durante algum tempo e me curei da diarréia. Devo minha vida à araruta”, argumenta Dona Ouro. EBDA/Assimp
 
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