As invasões e a depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023, marcaram o ponto culminante de uma sequência de atos que buscavam romper a ordem democrática no país. Três anos depois, a data rememora episódios que começaram ainda antes do encerramento do processo eleitoral de 2022 e envolveram bloqueios de rodovias, acampamentos em frente a quartéis e ações de violência política.
Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, em 30 de outubro de 2022, apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro (PL) passaram a promover bloqueios em estradas federais de diversos estados. As interdições chegaram a ultrapassar mil pontos, segundo a Polícia Rodoviária Federal, e só perderam força após pedidos públicos pela desobstrução, feitos dias depois do resultado oficial das urnas.
Com o enfraquecimento dos bloqueios, o movimento migrou para acampamentos instalados em frente a quartéis das Forças Armadas em capitais e cidades do interior. O principal deles foi montado diante do Quartel-General do Exército, em Brasília, de onde partiram os grupos que invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal. Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República, esses acampamentos tiveram papel central na articulação golpista.
Em dezembro de 2022, os episódios escalaram para a violência direta. No dia 12, data da diplomação de Lula, Brasília registrou incêndios de veículos e tentativa de invasão à sede da Polícia Federal. Já em 24 de dezembro, uma tentativa de atentado a bomba nas proximidades do Aeroporto Internacional da capital foi frustrada após a falha de um artefato explosivo, caso que resultou em condenações e ações penais no STF.
A sequência de atos terminou na tarde de 8 de janeiro de 2023, quando milhares de manifestantes invadiram e depredaram prédios públicos na Praça dos Três Poderes. Desde então, investigações e julgamentos avançaram para responsabilizar os envolvidos. Em memória da data, cerimônias e eventos institucionais voltam a ser realizados neste 8 de janeiro para reforçar a defesa da democracia e o repúdio a tentativas de ruptura institucional.
