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Protestos se espalham nos EUA após assassinato de enfermeiro por agentes do ICE

Protestos se espalham nos EUA após assassinato de enfermeiro por agentes do ICE
Alex Pretti - Foto: AP

A morte do enfermeiro de cuidados intensivos Alex Pretti, de 37 anos, baleado por agentes federais de imigração em Minneapolis, no sábado (24), desencadeou uma onda de protestos na cidade e em outras regiões dos Estados Unidos. O caso levou o presidente norte-americano, Donald Trump, a afirmar que seu governo está “revisando tudo” e que divulgará uma decisão oficial sobre a atuação dos agentes envolvidos.

Em entrevista ao Wall Street Journal, publicada no domingo (25), Trump indicou que pode, eventualmente, retirar os agentes federais de Minneapolis, embora não tenha apresentado um prazo para isso. O presidente também afirmou que espera que o governo estadual entregue “todos os estrangeiros ilegais criminosos” presos em penitenciárias de Minnesota para deportação.

O episódio ocorreu durante uma operação de imigração na cidade mais populosa do estado de Minnesota. Um vídeo gravado por uma testemunha mostra Alex Pretti segurando um telefone celular, e não uma arma, enquanto tentava ajudar outros manifestantes que haviam sido empurrados ao chão por agentes federais. Pretti, cidadão americano, acabou morto durante a abordagem.

As imagens mostram vários agentes imobilizando o enfermeiro, forçando-o a ficar de quatro no chão. Durante a ação, uma pessoa grita algo que parece alertar para a presença de uma arma. Em seguida, o vídeo sugere que um dos agentes retira um objeto do corpo de Pretti e se afasta do grupo. Pouco depois, um policial aponta a arma para as costas do enfermeiro e dispara quatro tiros em rápida sucessão. Outros disparos também são ouvidos na sequência.

A atuação dos agentes federais gerou críticas de autoridades locais. O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, afirmou à BBC que policiais estaduais foram impedidos de acessar o local do tiroteio, mesmo estando munidos de um mandado de busca autorizado pela Justiça. Segundo ele, a restrição comprometeu o trabalho das forças locais.

O’Hara acrescentou que as autoridades estaduais e federais vinham atuando de forma conjunta em Minnesota “há vários anos”, mas que a situação atual tem dificultado a continuidade dessas investigações. O governador democrata do estado, Tim Walz, classificou o momento como um “ponto de virada” e voltou a pedir que o governo federal retire os agentes de imigração de Minneapolis.

Após o assassinato, protestos foram registrados não apenas em Minneapolis, mas também em cidades como Nova York, Washington e Los Angeles. Na capital de Minnesota, manifestantes se reuniram no local do tiroteio mesmo sob frio intenso, com temperaturas em torno de -21 °C, para protestar contra a ação dos agentes federais.

Durante as manifestações, participantes bloquearam ruas com latas de lixo, gritaram palavras de ordem contra o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) e pediram a retirada imediata dos agentes da cidade. À noite, centenas de pessoas participaram de uma vigília silenciosa em homenagem a Alex Pretti, em um memorial improvisado próximo ao local da morte.