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João Roma é acusado de escantear bolsonaristas e priorizar aliados de ACM Neto

ACM Neto e João Roma estão rompidos politicamente desde 2022
Na imagem ACM Neto ao lado de João Roma - Foto: Max Haack/Arquivo

O PL da Bahia, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro e comandado no estado pelo ex-ministro João Roma, tem sido alvo de críticas de bolsonaristas internas que acusam a sigla de priorizar e acomodar aliados do ex-prefeito de Salvador ACM Neto, pré-candidato ao governo do Estado pelo União Brasil.

A insatisfação bolsonarista tem como pano de fundo a eleição de 2022, quando Neto foi duramente criticado por apoiadores de Jair Bolsonaro por adotar um discurso de neutralidade, postura que, na avaliação desse grupo, contribuiu para a vitória do atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nos bastidores, circula no PL a possibilidade de filiação de nomes do Centrão considerados próximos a ACM Neto para disputar as eleições de outubro deste ano. Entre os citados estão o deputado estadual Paulo Câmara, atualmente no PSDB, o empresário e fundador da Avivip, Ditinho, e o vereador Duda Sanches, filiado ao União Brasil. A eventual entrada desses quadros na legenda é vista por bolsonaristas como um fator que pode prejudicar a campanha de nomes identificados como “raiz” do bolsonarismo baiano, a exemplo dos deputados Capitão Alden, Leandro de Jesus e Diego Castro, além do vereador Cézar Leite e da ex-secretária Doutora Raissa Soares, considerados representantes tradicionais do movimento no estado.

Insatisfação

Ainda de acordo com relatos internos para nossa redação, a forma como João Roma tem conduzido o partido também teria provocado desconforto em outras lideranças. Um dos episódios citados é a aproximação do vereador Alexandre Aleluia com o Partido Novo, movimento atribuído ao descontentamento com os rumos do PL na Bahia.

Entre bolsonaristas fiéis a Bolsonaro, a avaliação é de que a estratégia liderada por João Roma representa um aceno político a ACM Neto. Essa leitura ganha força diante do interesse do ex-ministro em compor a chapa do ex-prefeito como candidato ao Senado Federal, o que reforça a percepção de alinhamento entre as duas lideranças.

As críticas ao comando do partido também atingem a deputada federal Roberta Roma, esposa de João Roma. Integrantes da direita baiana apontam que a parlamentar tem sido cobrada por uma atuação mais visível na Câmara dos Deputados, sobretudo em pautas defendidas pelo campo conservador, e afirmam que a ausência em debates considerados centrais tem gerado desgaste junto à base bolsonarista no estado.

Banco Master

Outro ponto que tem chamado a atenção envolve o posicionamento de Roberta Roma com em relação a CPMI que pode investigar as fraudes financeiras do Banco Master. A parlamentar não assinou o requerimento para criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar fraudes e irregularidades na instituição financeira, liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central no fim de 2025. A ausência de apoio ocorreu em meio a questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, diante de conexões políticas e pessoais que cercam o caso.

O requerimento da CPMI do Banco Master já ultrapassou o número mínimo de assinaturas, com articulação liderada por deputados como Carlos Jordy e do baiano Capitão Alden. Ainda assim, a falta de adesão de parlamentares baianos tem sido alvo de críticas, sobretudo no caso de Roberta Roma dentro do PL.

Nos bastidores, também são mencionadas supostas ligações de João Roma com figuras do entorno do Banco Master. Uma delas é Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima, ex-sócio e ex-CEO da instituição. Guga Lima ingressou no banco em 2020 levando o CredCesta, braço de consignados que se tornou um dos principais ativos do grupo, período em que Roma integrava o primeiro escalão do governo federal. Após deixar a sociedade em 2024, Guga adquiriu o Banco Voiter, posteriormente rebatizado de Banco Pleno, em operação aprovada pelo Banco Central mesmo após sua prisão temporária no âmbito da Operação Compliance Zero.

Esses relatos que são de uma fonte de dentro do PL da Bahia, indicam que João Roma mantém supostas relações pessoais com Guga Lima, incluindo convivência em ambientes sociais e proximidade em círculos políticos na Bahia. Essas conexões, somadas à postura de Roberta Roma em relação à CPMI, passaram a ser exploradas por críticos internos do bolsonarismo baiano, que veem o episódio como mais um elemento de desgaste para o comando do PL no estado e para a imagem do partido junto à base mais ideológica ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.