O Ministério das Relações Exteriores (MRE) emitiu um alerta público reforçando os riscos para brasileiros que aceitam convites ou propostas para atuar em forças armadas estrangeiras em meio a conflitos internacionais. O tema voltou a ganhar força nas redes sociais após relatos de brasileiros que foram lutar na guerra entre Rússia e Ucrânia e retornaram sem dinheiro — ou sequer voltaram com vida.
Segundo o Itamaraty, tem crescido o número de casos de brasileiros que perdem a vida em conflitos fora do país, além de registros de pessoas que enfrentam dificuldades para deixar os exércitos estrangeiros depois de já estarem alistadas.
O órgão destaca que, nesses casos, a assistência consular pode ser bastante limitada, já que os brasileiros costumam assinar contratos diretamente com as forças armadas de outros países. Isso significa que o governo brasileiro não tem obrigação de arcar com passagens ou custos de retorno ao Brasil.
Outro ponto de atenção é que quem se alista em forças estrangeiras pode enfrentar consequências legais. O MRE alerta que brasileiros podem ser responsabilizados criminalmente tanto em cortes internacionais quanto no próprio Brasil, com base no Código Penal, dependendo das atividades realizadas durante o conflito.
Para brasileiros que já estão em zonas de conflito e precisam de ajuda, o Itamaraty orienta que busquem contato com as embaixadas do Brasil nos países onde se encontram ou com o plantão da Divisão de Comunidades Brasileiras e Assistência Consular, em Brasília.
A movimentação do governo ocorre justamente em meio ao aumento de relatos de brasileiros envolvidos na guerra entre Rússia e Ucrânia, muitos atraídos por promessas de pagamento em dólar ou experiências militares. Na prática, porém, a realidade tem sido outra: até o momento, o Itamaraty confirma 22 brasileiros mortos e 44 desaparecidos desde o início do confronto armado.
