Início Entrevista Funcionários relatam dívidas, atrasos e colapso financeiro após fechamento do Bombar

Funcionários relatam dívidas, atrasos e colapso financeiro após fechamento do Bombar

Funcionários relatam dívidas, atrasos e colapso financeiro após fechamento do Bombar
Antigo ponto de sucesso do Bombar - Foto: Reprodução/Street View

O fechamento do Bombar, bar-balada localizado no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, trouxe à tona uma série de relatos de trabalhadores sobre atrasos salariais, falta de pagamentos e prejuízos acumulados ao longo dos últimos anos. A situação ganhou repercussão após o anúncio do encerramento das atividades pela proprietária Gabi da Oxe e a manifestação de funcionários nas redes sociais cobrando valores em aberto.

Em entrevista ao Notícias da Bahia, um funcionário, que preferiu não se identificar, relatou que os problemas começaram em 2022 e se agravaram gradualmente, especialmente nos últimos meses. Ele afirma que, inicialmente, os pagamentos eram feitos sem atraso, mas o cenário mudou com o tempo. “No início, recebíamos na hora. Depois passou para 3 dias de atraso, depois 1 semana. Em seguida, passamos a trabalhar apenas do dia 1 ao dia 5 e receber somente por essa semana lá pelo dia 15”, iniciou.

Atrasos acumulados e promessas não cumpridas

De acordo com o trabalhador, a partir de dezembro os atrasos passaram a se acumular sem previsão concreta de regularização. “Os valores foram se somando, enquanto ela sempre dizia que iria pagar tudo na semana seguinte”, afirmou. Ele destaca que dívidas individuais chegaram a valores entre R$ 8 mil e R$ 12 mil, incluindo salários, 13º e outros direitos.

O funcionário também relatou dificuldades nas tentativas de negociação. “Houveram muitas tentativas de negociação, mas sempre ela enrolava, ‘seu acordo tá saindo semana que vem’”, disse. Segundo ele, nas últimas semanas antes do fechamento, a comunicação foi interrompida. “Das últimas duas semanas pra cá ela simplesmente parou de responder os funcionários e fornecedores”, declarou.

Falta de aviso e desorganização interna

Ainda segundo o relato, o encerramento das atividades ocorreu sem aviso prévio aos trabalhadores. “Não houve nenhum tipo de aviso sobre o fechamento”, afirmou. Ele aponta que não havia planejamento ou cronograma para pagamento de obrigações trabalhistas. “Não tinha nenhum cronograma, nem previsibilidades”, disse, citando atrasos recorrentes em férias e no pagamento do 13º salário.

O trabalhador também descreve problemas de gestão e controle interno. “A empresa estava completamente desorganizada e largada às traças”, afirmou. Segundo ele, nem mesmo o número de funcionários em atividade era controlado de forma adequada pela administração.

Custos repassados e jornadas extensas

Entre os principais problemas relatados estão despesas que teriam sido assumidas pelos próprios funcionários. “O transporte para ir trabalhar sempre foi pago por quem ia trabalhar”, disse. Ele afirma que, mesmo quando havia promessa de reembolso, os valores não eram devolvidos. Em alguns casos, segundo o relato, trabalhadores acumularam até R$ 20 mil em despesas de transporte não ressarcidas.

Sobre a rotina de trabalho, o funcionário relata jornadas extensas. “Líderes ou sublíderes muitas vezes precisavam trabalhar 12h, 14h, 16h por dia”, afirmou. Ele destaca que a formalização da jornada de oito horas só passou a ocorrer no final de 2025.

Pagamentos parciais e retenção de informações

O trabalhador afirma ainda que pagamentos parciais eram utilizados como forma de manter os funcionários em atividade. “Ela sempre mandava no privado: ‘estou te mandando 200 por que é o que tem, semana que vem mando o resto, mas não fala pra ninguém’”, relatou. Segundo ele, a prática criava desigualdade entre os trabalhadores e dificultava a organização coletiva para cobrança.

Ele também afirma que, em muitos casos, os valores recebidos não eram suficientes sequer para cobrir os custos de deslocamento. “O funcionário recebia menos da metade do que deveria e gastava esse mesmo dinheiro pra ir trabalhar e voltar pra casa”, disse.

Impacto financeiro e valores em aberto

A estimativa é de que cerca de 40 funcionários tenham sido diretamente afetados, além de fornecedores. O impacto financeiro, segundo o depoimento, foi generalizado. “Destruiu a vida financeira de todo mundo”, afirmou. Ele relata casos de endividamento com aluguel, alimentação e cartões de crédito.

“Eu, por exemplo, já estou acumulando dívidas em torno de 5 mil. 3 são apenas de juros”, disse. Além dos salários, permanecem em aberto valores como férias vencidas, 13º salários de anos anteriores, FGTS não depositado, horas extras e adicionais noturnos. “Todos os valores que você pode imaginar estão em aberto”, concluiu.

Confira o vídeo e versão da proprietária: