A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) denunciou, nesta quarta-feira (17), um calote de R$ 17 milhões do Governo do Distrito Federal (GDF). De acordo com a CBV, os valores seriam para a organização da etapa de Brasília da Liga das Nações, além de outras competições da modalidade.
A CBV afirma que a maior parte dos valores seria para a Liga das Nações, que aconteceu entre 3 e 14 de junho. Além disso, a entidade alegou que o ofício que previa a liberação dos recursos para a realização do evento foi assinado em outubro de 2025, mas que outro ofício, de 11 de maio deste ano, 23 dias antes do início dos jogos, informou que não seria possível honrar o compromisso.
“Recebemos a comunicação quando toda a operação da competição internacional já se encontrava avançada, incluindo contratos já celebrados e outros em fase final de formalização, obrigações assumidas perante fornecedores nacionais e internacionais, compromissos firmados junto à Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e com a Volley World (VW), planejamento logístico consolidado, comercialização de ingressos, reservas de hospedagem, aquisição de passagens aéreas por torcedores e delegações, além de toda a mobilização turística, esportiva e institucional vinculada ao evento”, afirma a CBV.
Diante da impossibilidade de receber os recursos, a CBV então assumiu os custos da realização do evento. A entidade tomou a decisão para evitar sanções para o Brasil, que poderiam, de acordo com eles, até mesmo tirar a seleção das próximas olimpíadas.
Problemas também no vôlei de praia
A CBV afirma, ainda, que o GDF também não honrou pagamentos relacionados à etapa de Brasília do Circuito Mundial de Vôlei de Praia. O evento aconteceu entre os dias 29 de abril e 3 de maio.
De acordo com a CBV, até o momento, mais de 40 dias depois da competição, os pagamentos no valor de R$ 5.985.023.73 também não aconteceram. Desse modo, a Confederação não conseguiu honrar com compromissos firmados para a competição.
“A CBV vem sendo cobrada diariamente por fornecedores que prestaram serviços nas competições de vôlei de praia. Com o termo de fomento assinado, a CBV depende dessa verba para o pagamento dos fornecedores. Os recursos não podem ser oriundos de outras fontes”, destaca a entidade.
O que diz o GDF?
Em nota, a Secretaria de Esporte e Lazer do Distrito Federal (SEL/DF), que aparece nos termos citados na nota oficial da CBV, afirma que não houve assinatura de um contrato entre o GDF e a CBV para a realização da Liga das Nações. A nota da SEL/DF, entretanto, não cita os valores relacionados à realização da etapa de Brasília do Circuito Mundial de Vôlei de Praia.
“Em razão das medidas de contingenciamento adotadas pelo Governo do Distrito Federal, que determinaram a revisão de despesas em toda a administração pública, não foi possível formalizar o instrumento jurídico necessário para a transferência dos recursos. A CBV foi oficialmente comunicada, antes da realização do evento, sobre a impossibilidade de celebração do termo de fomento, tendo ciência de que não haveria formalização da parceria nem autorização legal para o repasse dos recursos públicos”, explicou a pasta.
Sobre a etapa do Circuito Mundial, a SEL/DF explicou que seguiu todos os trâmites e que, nesse caso, a Secretaria de Economia fica com a responsabilidade de fazer o repasse dos recursos, uma vez que a SEL/DF cumpriu o que lhe cabia.
