Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) e divulgadas pelo UOL nesta sexta-feira (16) apontam contatos entre ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e dirigente do União Brasil, e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo a reportagem, as conversas indicam articulações políticas relacionadas à aproximação da instituição financeira com fundos de previdência estaduais.
De acordo com o material, ACM Neto e Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, aparecem em diálogos sobre reuniões com Vorcaro e negociações envolvendo recursos previdenciários. O banqueiro afirmou, em uma proposta de delação premiada rejeitada pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que os dois teriam atuado para viabilizar investimentos no Master em troca de comissões de 10%. A existência de pagamentos diretos dessa natureza aos dirigentes, porém, não foi comprovada pelas mensagens divulgadas.
A reportagem também aponta que o Banco Master transferiu R$ 5,4 milhões a uma empresa de consultoria de ACM Neto e R$ 6,4 milhões a escritórios de advocacia ligados a Rueda, totalizando R$ 11,8 milhões. Ambos afirmam que os valores correspondem a serviços profissionais efetivamente prestados e negam irregularidades.
Mensagens registram reuniões e contatos políticos
Em setembro de 2024, ACM Neto e Rueda passaram um fim de semana na residência de Vorcaro, em Trancoso, no litoral da Bahia. No mês seguinte, o ex-prefeito solicitou uma reunião com o banqueiro da qual também participaria o presidente do União Brasil.
As conversas analisadas pela PF ainda mencionam contatos entre pessoas próximas a Vorcaro e integrantes ligados ao grupo político de ACM Neto. No entanto, os diálogos divulgados não esclarecem se houve entrega de dinheiro ou pagamentos indevidos relacionados a essas interlocuções.
Outro ponto investigado envolve a suposta participação de ACM Neto em articulações relacionadas à inclusão do Banco Master na lista de instituições habilitadas a receber aplicações de regimes próprios de previdência social. O ex-prefeito nega ter interferido no processo e afirma que não tinha participação no governo federal.
Investigações envolvem recursos previdenciários
As mensagens integram o contexto das apurações da Operação Compliance Zero, que investiga possíveis fraudes envolvendo o Banco Master e aplicações de recursos previdenciários.
Entre os casos citados estão investimentos relacionados aos institutos de previdência do Amapá, do Amazonas e do Rio de Janeiro. Em uma das conversas, executivos do banco mencionam negociações que somavam bilhões de reais, embora os valores previstos não representem necessariamente aplicações efetivamente realizadas.
A PF chegou a solicitar mandados de busca e apreensão relacionados aos políticos, mas as medidas não foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a reportagem.
ACM Neto classificou os vazamentos como seletivos e fora de contexto. O ex-prefeito afirma que recebeu pagamentos por consultoria, com emissão de documentos fiscais e recolhimento de impostos. Rueda também sustenta que sua relação com o banco era profissional e que os serviços jurídicos contratados foram realizados regularmente.
As investigações buscam esclarecer as circunstâncias das operações financeiras, o papel dos intermediários e a eventual existência de vantagens indevidas na destinação de recursos previdenciários ao Banco Master.
