Milhares de argentinos foram às ruas nesta quinta-feira (15) para protestar contra os cortes no orçamento das universidades públicas promovidos pelo presidente Javier Milei. A manifestação, realizada em frente ao Congresso Nacional, em Buenos Aires, terminou em confrontos entre policiais e um grupo de manifestantes, com registro de feridos.
O episódio reacende o debate sobre os impactos das políticas de austeridade na educação e sobre as propostas para o setor apresentadas por lideranças da direita, como o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Os manifestantes exigiram que Milei cumpra uma lei aprovada pelo Congresso argentino para recompor o financiamento das universidades. Segundo os organizadores, o governo mantém os cortes apesar de decisões judiciais contrárias à sua política. O movimento reuniu estudantes, professores e cidadãos em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, com atos também em cidades como Córdoba e Rosário.
A Universidade de Buenos Aires (UBA), que tem mais de 300 mil estudantes, afirmou que os salários dos professores perderam cerca de 30% do poder de compra durante a gestão Milei. A instituição também criticou o descumprimento da legislação sobre o financiamento universitário.
“Não vamos normalizar o descumprimento da lei. As leis devem ser cumpridas. Sempre”, publicou a UBA nas redes sociais ao convocar a manifestação.
Manifestación por la universidad pública termina en enfrentamientos con la policía en Buenos Aires
Miles de estudiantes y docentes marcharon en la capital argentina contra los recortes del Gobierno de Javier Milei y exigieron que cumpla la Ley de Financiamiento Universitario. La jornada terminó con disturbios que dejaron 31 detenidos y ocho policías heridos. /csm
— DW Español (@dw_espanol) October 16, 2026
Modelo de Milei coloca educação pública no centro do debate
A política econômica de Milei tem como uma de suas principais metas reduzir a inflação e equilibrar as contas públicas por meio de cortes de gastos. As medidas, no entanto, provocaram resistência de setores que denunciam a perda de recursos para áreas essenciais, como educação e saúde.
O cenário argentino oferece um ponto de comparação para o debate sobre as propostas educacionais de Flávio Bolsonaro, que se apresenta como pré-candidato à Presidência da República pelo PL. A discussão envolve o papel do Estado no financiamento do ensino público, a destinação de recursos às universidades e os efeitos das políticas de austeridade sobre estudantes e profissionais da educação.
Na manifestação em Buenos Aires, os participantes afirmaram que continuarão mobilizados para exigir o cumprimento da lei e a recomposição do orçamento universitário. Os protestos refletem a resistência de parte da sociedade argentina às medidas de austeridade e mantêm a educação pública no centro da disputa política no país.
