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Bahia registra queda na quantidade de Testes do Pezinho em bebês

Por Morgana Montalvão – Foto Reprodução/Pixabay

O Teste do Pezinho é a primeira chance de garantir um futuro saudável para o bebê. Conhecido como Teste de Guthrie, esse procedimento coleta sangue no calcanhar dos recém-nascidos com o objetivo de identificar doenças metabólicas, genéticas e infecciosas que, se tratadas precocemente, possibilitam o desenvolvimento físico e mental adequado às crianças.

Em 2024, a Bahia registrou uma queda significativa no número de Testes do Pezinho realizados em recém-nascidos, com cerca de 10 mil crianças a menos triadas em comparação a 2023, segundo dados da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) Salvador. A instituição afirma que a redução acende um sinal de preocupação, pois muitas crianças deixam de receber o diagnóstico precoce e, consequentemente, o tratamento adequado para doenças graves.

Para a médica geneticista Helena Pimentel, gerente do Serviço de Triagem Neonatal da instituição, a queda no número de triagens pode estar relacionada aos recessos de fim de ano.

“Crianças que nascem durante o período de festas podem ser prejudicadas pela demora na realização do procedimento. O Teste do Pezinho não pode esperar, pois as sequelas, que poderiam ser evitadas, podem já estar instaladas. O exame tem se tornado cada vez mais abrangente, sendo capaz de identificar um número crescente de doenças”, ressalta a médica.

A coleta do Teste do Pezinho deve ser realizada, preferencialmente, entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê, estando em disponível pelo SUS, em uma das milhares de unidades de saúde espalhadas pelo estado. Entre as diversas patologias que podem ser detectadas estão Toxoplasmose, Fenilcetonúria, Hipotireoidismo Congênito, Doença Falciforme e outras hemoglobinopatias, Fibrose Cística, Hiperplasia Adrenal Congênita, Deficiência de Biotinidase e Aminoacidopatias.

SMS revela queda em testes

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em 2023 foram realizados 22.753 Testes do Pezinho. Entre janeiro e outubro daquele ano, 19.270 testes foram realizados. No entanto, no mesmo período de 2024, o número caiu para 18.182, indicando uma redução no acesso à triagem neonatal.

De acordo com a secretaria, os testes  são feitos de acordo com a quantidade de nascidos vivos, ou seja, a redução de um ano a outro não necessariamente significa que houve uma queda no número de testes, podendo ter nascido menos crianças no município.

Em Salvador, existem clínicas e hospitais privados que realizam o Teste do Pezinho, além das maternidades estaduais. A SMS informa que aumentou a quantidade de Unidades Básicas de Saúde (UBS) que realizam o procedimento.

“Para a ampliação dos testes do pezinho, em março de 2024 a Atenção Primária de Salvador aumentou a quantidade de Unidades Básicas de Saúde (UBS) que realizam o procedimento de 148 para 154 postos, que fazem o exame de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h. Além disso, são feitas qualificações das ações de pré-natal e consequente garantia de orientação das equipes para as famílias sobre a importância da coleta do Teste do Pezinho durante as consultas do pré-natal, enfatizando o tempo oportuno para realização do exame; realização de busca ativa do recém-nascido no território quando necessário e a realização de salas de espera e ações de educação em saúde para a população em geral, orientando a todos sobre a importância de realização do teste no período correto”, disse a instituição por nota.

Queda do número de nascidos vivos pode explicar cenário

O estado registrou uma significativa queda de 10,47% no número de nascidos vivos em 2024, de acordo com dados da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab). O Sistema de Informação de Nascidos Vivos (SINASC) aponta que, enquanto em 2023 foram registrados 170.308 bebês, em 2024 esse número caiu para 152.475, correspondendo a uma redução de 17.833 nascimentos. Essa diminuição indica uma tendência de redução do teste.

De acordo com a Sesab, foram realizados 137.544 procediemntos em 2024, o que representa uma diminuição de 9.901 exames em comparação com o ano anterior, quando foram realizados 147.445 testes. No entanto, quando se analisa termos percentuais, há um aumento da cobertura do exame.

“Quando analisado em termos percentuais, houve um aumento de quase 4% na cobertura do exame, saindo de 86,57% em 2023 para 90,20% em 2024. Esse cenário pode ser explicado pela redução no número de nascidos vivos no estado entre os dois anos, o que elevou proporcionalmente a realização do teste em relação ao total de nascimentos registrados”, diz a nota da secretaria.

A Sesab diz realizar diversas ações através da Área Técnica da Saúde da Criança (ATSC) em parceria com o Serviço de Referência de Triagem Neonatal (SRTN) da Apae Salvador para fortalecer a coleta e ampliar a cobertura do Teste de Guthrie.

Entre as iniciativas destacam-se:

-Capacitação de profissionais: Treinamentos nas unidades básicas de saúde e maternidades;

-Expansão de pontos de coleta: Aumentando os postos habilitados, especialmente em regiões remotas;

-Monitoramento e suporte técnico: Acompanhamento de indicadores de cobertura e qualidade;

-Sensibilização da população: Campanhas educativas voltadas para gestantes e famílias;
-Parcerias estratégicas: Colaborações com hospitais e setores privados;

– Distribuição de insumos: Garantia do fornecimento contínuo de kits para coleta, reduzindo a possibilidade de interrupção do serviço nos municípios.

A Sesab afirma elaborar uma nota técnica, em conjunto com a ATSC, orientando para que a coleta do teste não seja suspensa em nenhum município baiano e que nas cidades onde a realização tenha sido suspensa por algum motivo, seja realizada uma busca ativa das crianças nascidas durante esse período, para que seja realizado o teste o quanto antes.

De acordo com a secretaria de saúde, caso tenha sido excedido o tempo ideal de coleta, entre o 3º ao 5º dia, o Teste do Pezinho deve ser realizado com brevidade, atentando-se para não exceder o prazo máximo de 30 dias.

Confira a nota na íntegra da Sesab:

“O número absoluto de testes do pezinho realizados na Bahia apresentou uma queda em 2024 em comparação a 2023, 137.544 e 147.445 respectivamente, um total de 9.901. No entanto, quando analisado em termos percentuais, houve um aumento de quase 4% na cobertura do exame, saindo de 86,57% em 2023 para 90,20% em 2024. Esse cenário pode ser explicado pela redução no número de nascidos vivos no estado entre os dois anos, o que elevou proporcionalmente a realização do teste em relação ao total de nascimentos registrados.
Na Bahia, diversas ações têm sido realizadas pela Área Técnica da Saúde da Criança (ATSC) da Secretária de Saúde do Estado da Bahia (SESAB) em parceria com o Serviço de Referência de Triagem Neonatal (SRTN)- APAE Salvador- para fortalecer a coleta e ampliar a cobertura do teste do pezinho, essencial para a detecção precoce de doenças genéticas e metabólicas. Entre as iniciativas destacam-se:
– Capacitação das equipes de saúde: Realização de treinamentos e atualizações para profissionais das unidades básicas de saúde e maternidades sobre a importância, o manejo adequado e os prazos do teste do pezinho.
– Ampliação de pontos de coleta: Expansão da rede de unidades habilitadas para realizar a coleta, garantindo maior acessibilidade para as famílias, especialmente em regiões remotas e de difícil acesso.
– Monitoramento e suporte técnico: Acompanhamento regular dos indicadores de cobertura e qualidade das coletas pelas equipes da vigilância, com oferta de suporte técnico aos municípios para corrigir eventuais lacunas.
– Sensibilização da população: Campanhas educativas voltadas às gestantes e famílias, destacando a relevância do teste e a necessidade de realizá-lo dentro do prazo ideal (até o 5º dia de vida do bebê).
– Parcerias estratégicas: Colaboração com maternidades, hospitais e setores de saúde privada para integrar esforços e garantir que o teste do pezinho seja uma etapa prioritária no cuidado neonatal.
– Distribuição de insumos: Garantia do fornecimento contínuo de kits para coleta, reduzindo a possibilidade de interrupção do serviço nos municípios.
– Elaboração de Nota Técnica conjunta, ATSC/ Diretoria de Atenção Básica (DAB) com orientação para que a coleta do teste do pezinho não seja suspensa em nenhum município baiano sob nenhuma justificativa, e que nos municípios onde a realização do teste tenha sido suspensa por algum motivo, seja realizada a busca ativa das crianças nascidas durante esse período, para que seja realizado o quanto antes. Caso tenha sido excedido o tempo ideal de coleta, entre o 3º ao 5º dia, que seja realizada com brevidade, atentando-se para não exceder o prazo máximo de 30 dias.
Essas ações são fundamentais para assegurar o diagnóstico precoce de condições tratáveis, contribuindo para a melhoria da saúde infantil no estado”.