
O Ministério Público do Peru investiga a morte de um homem de 32 anos baleado durante protesto realizado em Lima na última quarta-feira (15/10). A manifestação foi marcada por confrontos entre manifestantes e forças de segurança, deixando cem feridos e resultando em dez prisões.
De acordo com o órgão, a apuração busca esclarecer as circunstâncias da morte de Eduardo Ruiz, atingido por um disparo nas proximidades da praça França, no centro da capital peruana. O corpo da vítima foi removido, e estão sendo coletadas evidências audiovisuais e balísticas. O autor do disparo ainda não foi identificado.
O diretor-geral de Operações em Saúde do Ministério da Saúde, Carlos León, informou que a maioria dos feridos recebeu atendimento em hospitais de Lima, com registros de contusões, golpes e efeitos de gases lacrimogêneos. Dois manifestantes passaram por cirurgia. Entre os feridos, 78 são policiais, segundo dados oficiais. O protesto teve como alvo o governo e o Congresso do país.
Presidente interino endossa investigação
Após a confirmação da morte, o presidente interino do Peru, José Jerí, um dos alvos das manifestações, declarou que espera que “as investigações determinem com objetividade os fatos e responsabilidades”.
Jerí assumiu o poder na última sexta-feira, após a destituição da ex-presidente Dina Boluarte, acusada pelo Congresso de “incapacidade moral”. Boluarte, primeira mulher a ocupar o cargo, deixou o posto após quase três anos de governo.
Os protestos, que já ocorriam durante a gestão de Boluarte, foram retomados com pedidos pela renúncia de Jerí. O ministro do Interior, Vicente Tiburcio, determinou a realização imediata das investigações e negou a presença de policiais à paisana na manifestação, em resposta a relatos de testemunhas que acusam um agente infiltrado de ter feito o disparo.
A mobilização de quarta-feira também ocorreu em outras cidades do país e foi uma das maiores desde as manifestações que, entre o final de 2022 e o início de 2023, deixaram 49 civis mortos durante protestos contra o governo de Boluarte, após a prisão do ex-presidente Pedro Castillo.