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Acordo de Paris: dez anos depois, metas climáticas ainda estão longe de ser cumpridas

Tomaz Silva/Agência Brasil

Dez anos após a assinatura do Acordo de Paris, os efeitos das mudanças climáticas se intensificam e os resultados do pacto internacional se mostram insuficientes. Ondas de calor recorde, incêndios, enchentes e desastres naturais seguem aumentando em frequência e intensidade, enquanto o aquecimento global continua acelerado.

Segundo especialistas, a meta central do acordo — limitar o aquecimento a 1,5 ºC acima dos níveis pré-industriais — permanece distante. Embora o planeta esteja agora a caminho de 2,8 ºC de aquecimento, os progressos ainda são lentos diante da urgência do cenário climático.

Desigualdade entre países

O cumprimento das metas climáticas tem sido desigual. Países desenvolvidos reduziram modestamente suas emissões de carbono, enquanto grandes emissores em desenvolvimento, como China e Índia, registraram aumentos significativos de 15,5% e 26,7% respectivamente desde 2015. Ao mesmo tempo, os 0,1% mais ricos do mundo aumentaram suas emissões, enquanto os 10% mais pobres reduziram em 30%, segundo levantamento da Oxfam.

Johan Rockstrom, diretor do Instituto Potsdam de Pesquisa Climática, alerta que “os impactos do aquecimento estão ocorrendo mais rápido e de forma mais grave do que o previsto, e o mundo falhou em manter a trajetória necessária para os 1,5 ºC”.

Avanços ainda insuficientes

Apesar das falhas, houve avanços: o crescimento de energia solar e eólica tornou-se mais rápido e mais barato do que fontes fósseis, e a venda de veículos elétricos saltou de 0,5 milhão em 2015 para 17 milhões em 2024. No entanto, o ritmo ainda não é suficiente para frear a escalada das temperaturas e reduzir os riscos de desastres climáticos.

Os níveis de metano e dióxido de carbono na atmosfera continuam a subir, enquanto eventos extremos, como ondas de calor na Índia, Sibéria e América do Norte, se tornam cada vez mais frequentes. A subida do nível do mar e a perda de gelo em glaciares e mantos polares confirmam a urgência de medidas mais eficazes.

Desafio à frente

Embora a transição para energias renováveis esteja em progresso, o Acordo de Paris enfrenta limitações estruturais, especialmente devido à desigualdade entre países e à falta de cumprimento rigoroso das metas. Especialistas alertam que, sem aceleração significativa dos esforços globais, os impactos das mudanças climáticas continuarão a se intensificar, tornando cada vez mais difícil conter a crise ambiental.

“Não é que o Acordo tenha falhado totalmente, mas também não pode ser considerado um sucesso dramático”, avalia Joanna Depledge, historiadora das negociações climáticas da Universidade de Cambridge. “O mundo precisa agir muito mais rápido para reduzir emissões e proteger comunidades vulneráveis.”