Início Política Aliados rejeitam dancinha de Flávio Bolsonaro em pré-campanha

Aliados rejeitam dancinha de Flávio Bolsonaro em pré-campanha

Flávio Bolsonaro - Foto: Beto Barata /Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro, de 44 anos, tem apostado em uma estratégia diferente para turbinar sua pré-campanha à Presidência: música e dança. Com um jingle próprio, batizado de “Funk do 01”, o parlamentar passou a aparecer em eventos e redes sociais arriscando passos de dança, numa tentativa clara de se aproximar do público mais jovem — especialmente o que consome conteúdo no TikTok.

A movimentação, segundo especialistas em marketing político, busca construir uma imagem mais leve e jovial, contrastando diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos. A ideia é dialogar com a juventude, sobretudo das periferias, usando elementos populares como o funk e as tradicionais “dancinhas” virais. Ainda assim, a estratégia não é consenso: aliados do próprio senador avaliam que a exposição pode soar forçada e até prejudicial.

Durante agendas recentes no Nordeste, com passagens por João Pessoa e Natal, Flávio surgiu ao som do jingle — criado com uso de inteligência artificial — e chegou a descer passarelas dançando, tentando reproduzir movimentos do “passinho”. Em um dos eventos, vestiu uma camisa com a frase “Nordeste é a solução”, reforçando o foco na região.

A repercussão, porém, foi mista. Enquanto alguns enxergam a tentativa como uma forma de gerar engajamento em meio ao excesso de informações nas redes, outros consideram que o excesso de informalidade pode comprometer a imagem do pré-candidato. Internamente, houve críticas à performance, vista por integrantes da equipe como um possível “tiro no pé”.

Especialistas apontam que a estratégia também tenta evitar a rejeição entre jovens, público que historicamente demonstrou resistência ao grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A ideia, segundo analistas, é primeiro criar identificação por meio do entretenimento para, depois, consolidar a imagem política — uma tentativa de transformar o candidato em alguém mais “comum” e próximo do eleitor.