Início Política Analista político aponta falhas em pesquisa sobre eleição para governo da Bahia

Analista político aponta falhas em pesquisa sobre eleição para governo da Bahia

Paraná Pesquisas: ACM Neto tem 49,2% contra 37,5% de Jerônimo na disputa pelo Governo da Bahia
Fotos: Divulgação

A pesquisa divulgada pelo instituto Séculus Análise e Pesquisa sobre a corrida eleitoral para o Governo da Bahia em 2026 gerou questionamentos no meio político. O analista político Yuri Almeida criticou a metodologia do levantamento e apontou possíveis inconsistências na aplicação e na divulgação dos dados.

Segundo o levantamento, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) aparece na liderança da disputa pelo Palácio de Ondina, com 48,28% das intenções de voto. O atual governador Jerônimo Rodrigues (PT) surge em segundo lugar, com 31,15%. O cenário estimulado inclui ainda José Carlos Aleluia (Novo), com 0,65%, e Ronaldo Mansur (PSOL), com 0,52%. Outros 9,93% dos entrevistados disseram não saber ou não opinar, enquanto 9,47% afirmaram votar branco, nulo ou em nenhum dos candidatos.

A pesquisa ouviu 1.535 pessoas em 72 municípios baianos e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BA-09740/2026. O levantamento apresenta margem de erro de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Questionamentos sobre metodologia

Ao comentar o resultado, Yuri Almeida afirmou que tem dificuldade em analisar levantamentos de institutos que, segundo ele, possuem histórico de erros.

“É muito difícil comentar pesquisas de instituto que, historicamente, erra. Quando existe uma série histórica de erros, significa que a metodologia ou a aplicação da pesquisa passa por algum problema”, disse.

Um dos pontos levantados por ele foi o tempo de aplicação das entrevistas. De acordo com o analista, o levantamento teria sido realizado em um curto intervalo de tempo, o que levanta dúvidas sobre a execução do trabalho de campo.

“Como é que eles aplicaram, em 24 horas, mais de 1.200 questionários em mais de 70 cidades baianas, ainda por cima embaixo de chuva? Estou muito curioso para saber como isso foi feito”, questionou.

Outro ponto criticado por Almeida diz respeito ao material utilizado na apresentação dos candidatos durante a coleta de dados.

“Existe um erro primário na aplicação da pesquisa referente aos discos. Pela legislação, os discos precisam ser proporcionais, com os nomes apresentados de forma equilibrada. Quando há distorção, isso pode influenciar diretamente a resposta do eleitor”, afirmou.

Falta de cenários eleitorais

O analista também apontou a ausência de simulações consideradas importantes para avaliar a disputa eleitoral, como cenários de segundo turno ou confronto direto entre os principais candidatos.

“A pesquisa não crava primeiro turno para ninguém, mas também não testa o confronto direto entre Jerônimo e ACM Neto. Não apresenta cenário de segundo turno. Como é que isso é possível?”, questionou.

Ele também destacou que alguns dados apresentados no levantamento não estariam em sintonia com o histórico eleitoral do estado.

“Historicamente, na Bahia, o governador costuma eleger também os senadores e puxar a votação do candidato a presidente. A pesquisa aponta uma votação muito forte para Lula e para os senadores ligados ao governo, mas ao mesmo tempo coloca o governador atrás. É um cenário que causa estranhamento”, avaliou.

Possibilidade de contestação

Em declaração ao Notícias da Bahia, Yuri Almeida afirmou que o instituto terá de apresentar toda a documentação detalhada da pesquisa.

“A Séculus tem até amanhã para enviar todo o extrato da pesquisa, cada entrevista. Os números precisam bater fielmente com o plano amostral, com o resultado e com o detalhamento dos municípios. Qualquer erro, o juiz pode impugnar”, disse.

Ele também afirmou que algumas perguntas obrigatórias ainda não teriam sido divulgadas.

“O questionário da Séculus tem pergunta espontânea para governador, pergunta de avaliação do governador e pergunta de intenção de voto para presidente. Nada disso foi divulgado ainda, mas eles são obrigados a publicar no sistema PesqEle”, completou.