Por Redação- Foto Pixabay/Creative Commons
Israel e Hamas chegaram a um acordo de cessar-fogo após um ano e três meses de um sangrento conflito. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (15), após dias de intensas negociações, segundo a agência Reuters. As autoridades do Catar anunciaram o acordo, que entra em vigor no dia 19 de janeiro, domingo.
Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, primeiro-ministro do Catar, foi o responsável por informar o acordo numa coletiva de imprensa. Na rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o acordo foi aprovado e comemorou: “Nós temos um acordo para os reféns no Oriente Médio. Eles serão libertados em breve”.
Segundo a Reuters, o Hamas concordou, ainda nesta manhã, com a proposta de cessar-fogo em Gaza e da devolução de reféns compartilhada pelos negociadores do Catar.
Apesar de o acordo ter sido anunciado pelo presidente Trump, por membros do Hamas e por fontes estrangeiras, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirma que o pacto ainda não estava finalizado e que ele espera que isso possa ser feito na noite desta quarta-feira (15). Seu gabinete, porém, já foi convocado para votar a proposta na quinta-feira (16).
A União Europeria (UE) confirmou e celebrou o cessar-fogo. A comissária da UE para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, indicou que “saúda o acordo de cessar-fogo e o acordo de reféns entre Israel e o Hamas, que trará o alívio tão necessário para as pessoas afetadas pelo conflito devastador”.
Por volta das 13h30, à rede de TV Al Jazeera, o Hamas disse que havia entregado a sua aprovação aos mediadores. De acorodo com a agência de notícias AFP, a trégua também foi aprovada pelo grupo aliado do Hamas, a Jihad Islâmica.
Autoridades do Catar, Egito e Estados Unidos, bem como de Israel e do Hamas, participam das negociações. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores de Israel, o ministro Gideon Saar adiantou o retorno de uma viagem feita à Europa para participar das votações do gabinete de segurança e do governo sobre o tema.
Cerca de 100 reféns israelenses, vivos ou mortos, ainda estão nas mãos do Hamas desde os ataques de 7 de outubro de 2023 pelo grupo palestino no sul de Israel, num ato terrorista deixou 1,3 mil mortos. O pacto prevê a troca de reféns e prisioneiros em diferentes etapas, assim como a desocupação gradual da Faixa de Gaza por parte das tropas israelenses.
O contra-ataque de Israel à Palestina deixou um saldo de mais de 46 mil mortos e um rastro de destruição. A maior parte da população do país foi deslocada, mulheres e crianças sofreram amputações devido as bombas lançadas por Israel.
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Segundo Organização das Nações Unidas (ONU) e entre os diplomatas palestinos, o acordo é visto como uma realidade. O cessar-fogo, que já tinha sido proposto há seis meses e foi recusado, desfaz a promessa de Netanyahu de que o conflito terminaria quando o Hamas fosse aniquilado. A Autoridade Palestina alertou que não aceitará qualquer plano futuro que não inclua sua administração sobre Gaza.
A ONU ordenou que caminhões com ajuda humanitária se preparem para entrar imediatamente na região de Gaza. O governo israelense começou a negociar com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha sobre como seria a troca de prisioneiros.
Um dia antes de o acordo de paz ser finalmente celebrado, autoridades informaram que que um cessar-fogo estava próximo, apesar de conflito continuar deixando mortos no território palestino.
Cessar-fogo por fases
O plano proposto estabelece um processo em duas etapas. A fase inicial consiste em um cessar-fogo de seis semanas. Durante 42 dias, 33 reféns israelenses dos cerca de 98 mantidos em Gaza pelo Hamas serão soltos. A lista inclui crianças, mulheres, soldados do sexo feminino, homens com mais de 50 anos, feridos e doentes. Em troca, Israel irá liberar cerca de 1.000 prisioneiros palestinos de suas cadeias. Ao todo, Israel conta com 12 mil palestinos detidos.
O país vai iniciar uma retirada gradual de suas tropas, especialmente na fronteira entre Gaza e o Egito, conhecido como corredor Filadélfia. A população palestina voltaria o norte de Gaza, e a passagem de Rafah entre o Egito e Gaza começaria a ser reaberta gradualmente. No entanto, isso valeria apenas para quem estiver desarmado.
O acordo ainda prevê que Israel permita mais ajuda humanitária em Gaza, com a entrada de 600 caminhões por dia, dez vezes mais do que é autorizado hoje.
A segunda fase do acordo prevê a libertação completa dos 98 reféns israelenses ainda detidos, a implementação de um cessar-fogo permanente e a retirada total das tropas israelenses de Gaza.
A incerteza sobre quem governará Gaza após a guerra é um dos pontos mais controversos. Israel rejeita categoricamente a ideia de que o Hamas, que controlava a região antes do conflito, reassuma o poder. Por outro lado, o governo israelense também se opõe à gestão da Autoridade Palestina, criada pelos Acordos de Oslo e que exerce um poder limitado na Cisjordânia.
Mohammad Mustafa, primeiro-ministro palestino, disse nesta quarta-feira (14), que a Autoridade Palestina deve ser o governante em Gaza após a guerra. A ideia é defendida por Antony Blinken, chefe de diplomacia dos Estados Unidos.
