Início Internacional Após renúncia e impeachment, Santiago Peña é preso no Paraguai

Após renúncia e impeachment, Santiago Peña é preso no Paraguai

Após renúncia e impeachment, Santiago Peña é preso no Paraguai
Foto: José Cruz/Agência Brasil

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi preso nesta sexta-feira (6), logo após a conclusão da votação por seu impeachment no Senado do país. Ele cumprirá prisão domiciliar.

A decisão acontece em meio à investigações de suspeitas de gestão fraudulenta e outros crimes relacionados ao escândalo financeiro do banco Ueno. Esse fator levou Peña a renunciar ao cargo antes mesmo do impeachment.

Quatro promotores do Ministério Público do país, responsáveis pelo caso, emitiram a ordem de prisão. A polícia federal paraguaia, por sua vez, foi à casa de Peña assim que o Senado encerrou o julgamento.

De acordo com Cristian Benítez, promotor do MP, o mandado de prisão foi expedido pelos crimes de lesão de confiança, tráfico de influência e administração para proveito próprio.

Em entrevista à imprensa paraguaia, porém, ele esclareceu que essas são tipficações penais preliminares. Nesse sentido, o Ministério Público ainda deve determinar os fatos específicos e as circunstâncias de cada crime, podendo aumentar a lista.

Em 2023, Peña declarou possuir ações da Ueno Holding avaliadas em 6,144 bilhões de guaranis (R$ 5,41 milhões). Ele vendeu sua participação em abril de 2025. O ex-presidente também informou ter um certificado de depósito de 2,4 bilhões de guaranis (R$ 2,11 milhões) no banco Ueno e um título da empresa Itti, de desenvolvimento de softwares financeiros.

Além disso, o irmão de Peña aparece como sócio da U Holding SARL, empresa seria o instrumento por meio do qual o grupo controlaria o Ueno Bank.

Denúncia

Um dos pontos da denúncia questiona a atuação do Banco Central do Paraguai (BCP) antes da crise. Segundo os parlamentares, autoridades da instituição já sabiam dos problemas financeiros do banco desde abril de 2026 e não tomaram atitude. Outro ponto ainda envolve depósitos de recursos públicos no Ueno Bank.

Entre as instituições que mantinham dinheiro no banco estão o Instituto de Previdência Social (IPS), a usina binacional de Itaipu, da qual o Brasil detém metade, a entidade binacional Yacyretá, dividida com a Argentina, e o Ministério da Economia.