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Audiência na Câmara termina em confusão após bate-boca entre Haddad e deputados da oposição

Fernando Haddad - Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

Uma audiência pública na Câmara dos Deputados com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi encerrada de forma antecipada nesta quarta-feira (11), após uma série de confrontos verbais entre o ministro e os deputados de oposição Nikolas Ferreira (PL-MG) e Carlos Jordy (PL-RJ).

A sessão, que reunia as comissões de Finanças e Tributação e de Fiscalização Financeira e Controle, teve início com críticas dos parlamentares ao governo federal e às medidas fiscais propostas pela Fazenda. Nikolas e Jordy, no entanto, deixaram a audiência antes de ouvir as respostas de Haddad.

Ao retomar a palavra, o ministro criticou a atitude dos deputados, classificando a saída como “molecagem” e disse que eles “fogem ao debate”, preferindo se manifestar pelas redes sociais. “Esse tipo de atitude não é bom para a democracia”, afirmou.

A fala gerou reações imediatas. O deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM) protestou contra o termo utilizado, e, momentos depois, Carlos Jordy retornou à audiência e respondeu, chamando o ministro de “moleque” e acusando-o de não ter preparo técnico para o cargo. “O governo Lula é pior que uma pandemia”, afirmou Jordy, em tom exaltado.

Haddad rebateu as críticas, destacando que o maior déficit fiscal da história não ocorreu sob sua gestão, mas em 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando o rombo nas contas públicas superou R$ 720 bilhões. Também contestou o superávit registrado no último ano do governo Bolsonaro, apontando manobras fiscais, como a limitação do ICMS e desonerações, como fatores artificiais.

Nikolas Ferreira também retornou à sessão e tentou voltar a falar sobre um vídeo seu com críticas à Receita Federal. O presidente da audiência, deputado Rogério Correia (PT-MG), porém, barrou a tentativa, com base no regimento, o que provocou novo tumulto. O bate-boca generalizado levou ao encerramento da audiência, que estava prevista para durar cinco horas.

Após o fim da sessão, Haddad lamentou o episódio. “A pessoa faz uma pergunta, vomita um monte de números errados e simplesmente sai. Imagina se fosse o oposto? Se eu deixasse de responder?”, questionou o ministro.

Haddad também afirmou que acredita que a estratégia da oposição é atrapalhar a tramitação de medidas fiscais do governo, como a Medida Provisória que trata da substituição parcial do decreto do IOF, já em análise no Palácio do Planalto.