O Bahia fechou a contratação da joia da base do Corinthians, Kauê Furquim, de 16 anos, cobrindo o valor de R$14 milhões da multa rescisória nacional.
A transferência gerou incomodo no clube paulista, que se sentiu prejudicado por não ser informado da negociação e, segundo eles, que na verdade o contratante foi o Grupo City, que deveria ter investido o valor da multa rescisória internacional.
O valor é de 50 milhões de euros (cerca de R$ 315 milhões) e o Timão já estuda entrar na justiça para cobrar a quantia.
O clube paulista defende que Kauê teria, na verdade, acertado com o Grupo City, e não diretamente com o Bahia. De acordo com apuração do Meu Timão, site especializado no Corinthians, os direitos econômicos do atleta seriam direcionados à rede de clubes administrada pelo conglomerado inglês.
O Corinthians afirma que não foi procurado pelo Bahia para tratar da negociação, considerando o clube baiano como “um mero intermediador” no negócio.
Kauê assinou contrato profissional com o Corinthians em abril de 2025. A multa para o mercado internacional é de 50 milhões de euros, enquanto, para clubes nacionais, o valor é calculado com base no salário do jogador, chegando a R$ 14 milhões — limite previsto pela lei brasileira, de até duas mil vezes o salário mensal.
Diretoria
O diretor da base do Corinthians, Carlos Roberto Auricchio, relatou que o clube vinha negociando um aumento salarial para Kauê como forma de protegê-lo de propostas externas:
“Ele tinha um dos maiores salários da categoria (sub-17) e mais dois anos e meio de contrato pela frente. Foram oportunistas! Chamamos para aumentar o salário e eles só nos enrolaram”.
Auricchio contou que representantes do Bahia estiveram presentes em um jogo na Fazendinha, no qual Kauê se destacou.
“O Kauê fez um golaço, sofreu pênalti, foi o grande jogo da carreira dele. No dia seguinte, ligamos para o empresário e falamos: ‘queremos dar um aumento para o garoto’. Depois, reunimos na sala do presidente e oferecemos o dobro de salário. Eles disseram que queriam deixá-lo aqui. Só que anteontem chegou a informação de que o Bahia queria pagar a multa”.
O também dirigente da base Nenê do Posto também criticou a postura na negociação “Quando o cara quer fazer a coisa errada, ele sabe fazer. Há dois anos o que era Bahia no cenário nacional? Encostaram num grupo e acham que são os melhores do Brasil. Isso é oportunismo barato, estão lidando com um clube gigante”.
O departamento jurídico do Corinthians ainda avalia a melhor estratégia para contestar a saída do jogador.
Confira a nota completa do Corinthians:
“Repudiamos, veementemente, o aliciamento ilícito e imoral do jogador Kauê Furquim, formado nas categorias de base do Corinthians, em trama envolvendo o City Football Group e o Esporte Clube Bahia. Em nenhum momento o Corinthians foi comunicado sobre o interesse na negociação do jogador. Estudaremos os caminhos jurídicos necessários e possíveis para punir os responsáveis e apelaremos à CBF e à FIFA para que a justiça seja feita.
A estratégia retoma mais um ato daquela antiga e nefasta prática da subtração de talentos, ainda muito jovens, do futebol nacional, levando-os a preço vil para mercados externos, reduzindo o Bahia a um mero intermediador de negócios. Reforçamos, mais uma vez, nosso repúdio aos envolvidos rompendo por completa qualquer relação institucional com o Esporte Clube Bahia e o City Football Group”.
