Um levantamento realizado pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (Ufba) revelou que o número de acidentes envolvendo elevadores cresceu 307% entre 2010 e 2023 no estado. Nesse período, foram contabilizadas 485 ocorrências, colocando a Bahia na liderança do Nordeste e em oitava posição no ranking nacional.
De acordo com o estudo, 212 pessoas morreram em acidentes desse tipo, sendo a maioria dos casos (65%) ligados ao ambiente de trabalho. Em Salvador, episódios recentes, como a queda de um elevador em um prédio no Horto Florestal que resultou na morte de dois trabalhadores, chamaram a atenção para a gravidade da situação.
Uma investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT) em 12 grandes empresas de montagem e manutenção de elevadores na Bahia encontrou problemas sérios: ausência de registros adequados de manutenção, contratação de profissionais sem qualificação técnica e até uso de peças recondicionadas — prática proibida pela legislação local.
Mais de 80 empresas do setor devem ser notificadas. Segundo o procurador Ilan Fonseca, a precariedade nos serviços de manutenção aumenta os riscos para trabalhadores e usuários. Ele também destacou que falhas na rede elétrica e a atuação de porteiros e síndicos sem treinamento técnico, em funções que deveriam ser restritas a profissionais habilitados, agravam ainda mais o problema.
