Supersalários no funcionalismo público brasileiro colocam o Brasil em primeiro lugar em um ranking internacional. O gasto anual com estes rendimentos atinge impressionantes R$ 20 bilhões, segundo um novo estudo comparativo.
O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (26), analisou dados de onze países. Ele foi realizado pelo Movimento Pessoas à Frente e pela República.org. A pesquisa revela que o Brasil possui 53,5 mil servidores ativos e inativos recebendo acima do teto constitucional.
A cifra brasileira é 21 vezes maior que a da Argentina, segunda colocada no ranking. Além disso, os Estados Unidos aparecem em seguida com pouco mais de 4.000 casos. Nenhum outro país pesquisado registrou mais de 2.000 servidores com supersalários.
“Qualquer reforma do Estado no Brasil deve começar por regular melhor os salários”, afirma Guilherme Cezar Coelho, fundador da República.org. Ele complementa que, em países com bom serviço público, os servidores não determinam seus próprios vencimentos.

Jessika Moreira, diretora do Movimento Pessoas à Frente, alerta sobre os impactos. “Quando colocamos o Brasil em comparação com esses dez outros países, vemos que há uma anomalia”, diz ela.
A magistratura e o Ministério Público concentram a maior parte dos supersalários. O estudo pretende subsidiar parlamentares na votação de medidas para conter os chamados penduricalhos, que furam o teto remuneratório. R$ 20 bilhões em um ano que beneficia 21 mil juízes com remuneração acima do teto constitucional e no Ministério Público, o gasto adicional é de R$ 3,2 bilhões, com 10,3 mil membros acima do limite, segundo reportagem da Folha.
No Governo Federal 12,2 mil servidores estão nessa condição, representando R$ 4,33 bilhões pagos além do teto, concentrados em carreiras como advogados da União.

