Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apresentaram os resultados de um estudo iniciado em 1999 que pode mudar a vida de pessoas com lesões na medula espinhal. A pesquisa utiliza a polilaminina, uma proteína extraída da placenta capaz de restabelecer conexões entre neurônios e devolver movimentos antes perdidos.
Nos testes iniciais, pacientes que receberam a substância em até 72 horas após o trauma apresentaram recuperação parcial da mobilidade, variando de pequenos movimentos nos pés e mãos até a capacidade de ficar em pé novamente. Em cães com lesões mais antigas, o medicamento também mostrou resultados promissores, com parte deles readquirindo movimentos.
O procedimento consiste em uma única injeção aplicada diretamente na região lesionada da medula. Embora dois pacientes não tenham resistido às complicações dos acidentes que os levaram à cirurgia, outros seis apresentaram respostas positivas e diferentes graus de melhora motora.
Após quase duas décadas de pesquisa, o composto obteve registro de patente e já foi transformado em medicamento por uma farmacêutica brasileira. Para que avance para a próxima fase em humanos, a autorização da Anvisa ainda é necessária. A agência aguarda dados adicionais de segurança antes de liberar novos ensaios clínicos.
Se aprovado, o tratamento pode se tornar o primeiro no mundo a demonstrar eficácia real na regeneração da medula espinhal.
