A Receita Federal enviou à CPI do Crime Organizado uma série de documentos que apontam repasses milionários do Banco Master, de Daniel Vorcaro, a escritórios e empresas ligadas a figuras importantes da política. Entre eles, estão Jacques Wagner (PT) e ACM Neto (União Brasil).
De acordo com dados divulgados pela Folha de São Paulo, constam nos documentos pagamentos de 2022 a 2025 no valor de R$ 12 milhões à BN Financeira, empresa de Bonnie Bonilha, nora do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner.
O senador ainda aparece na lista com o pagamento de uma quantia menor, de R$ 289 mil, como pessoa física. O senador, porém, afirma que o valor é referente a rendimento de aplicação em conta de pessoa física, que não possui CNPJ e que nunca recebeu qualquer pagamento do Master.
Além disso, o banco master pagou R$ 5,45 milhões para a A&M Consultoria Ltda, empresa do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia ACM Neto. Os números são do período de 2023 até o último ano.
Vorcaro voltou para a prisão no começo de março, sob suspeita de comandar um esquema de fraude e ameaças.
Respostas
A empresa de Bonnie Bonilha, BN Financeira, afirma que os serviços ao Master “tiveram por objetivo a prospecção e indicação de operações e convênios de crédito público e privado”, mediante prestação de nota, e que os dois únicos sócios são Moisés Dantas e Bonnie Bonilha.
“Não existe qualquer investigação ou apuração policial quanto ao tema, pois não existe qualquer irregularidade. Todos os recursos recebidos pela BN Financeira se deram de forma oficial, contabilizada e mediante emissão de nota fiscal, distribuídos formalmente aos sócios e declarados à Receita Federal”, afirma em nota.
Já a assessoria da empresa de ACM Neto, a A&M Consultoria, afirma que “os serviços mencionados pelo jornal foram contratados de maneira lícita, transparente, e devidamente prestados” e que não pode confirmar os valores “supostamente declarados à Receita Federal por não ter tido acesso a esses dados”.
A nota afirma ainda que os sócios da A&M não ocupavam cargos públicos quando firmaram contrato. “Foi apresentada petição à PGR (Procuradoria-Geral da República) e ao STF na qual a A&M se coloca à disposição para prestar eventuais esclarecimentos e detalhes dos serviços prestados, assim como requereu que se apurasse o vazamento de dados fiscais sigilosos”, diz.
