Carlos Augusto Marighella, filho do deputado federal Carlos Marighella, participou, na tarde desta terça-feira (31), da IV Solenidade de Entrega das Certidões de Óbito Retificadas de pessoas mortas e desaparecidas políticas da ditadura militar brasileira.
O evento é uma realização do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). A cerimônia acontece no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia.
“Eu testemunhei isso aos 15 anos de idade, vi prenderem meu pai, balearam meu pai e lamentavelmente passados quase 60 anos desse momento, a gente ainda vê se repetindo no Brasil situações como essa, contra quais nós lutamos”, disse ele, relembrando Marighella, que foi assassinado pela ditadura militar do Brasil.
“Uma pessoa da minha idade se sente na obrigação de advertir a nossa juventude, que o Brasil que a gente de fato quer construir é um Brasil que não aceita ditaduras, que quer democracia, que quer liberdade, que quer felicidade e que quer dignidade para o país”, completou.
Ele ainda falou sobre as recentes ameaças à democracia e a importância de ir na contramão desse movimento.
“O Brasil é um país que enfrenta ditaduras disfarçadas por quase um século. A gente tem pequenos períodos de democracia. E mesmo essa democracia que a gente está construindo, ela ainda é incipiente. A gente tem ameaças. E não são só ameaças dentro do Brasil. Elas são ameaças que extrapolam o nosso território, o nosso continente”.
“Da mesma maneira que acho que esse governo que nos antecedeu foi um governo que ameaçou essa construção, que fez esse processo regridir, eu acredito firmemente que nós temos hoje um governo voltado para retomar esse caminho de construção dessa democracia”, completou.
