O Tribunal do Júri do Rio condenou nesta quarta-feira (4) o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte de Henry Borel, de 4 anos. Os jurados o consideraram culpado por homicídio duplamente qualificado e por um dos crimes de tortura atribuídos a ele durante o processo. A mãe da criança, Monique Medeiros, foi condenada por omissão diante da tortura sofrida pelo filho e recebeu pena de 1 ano e 4 meses de detenção, já considerada cumprida.
Em relação à acusação de homicídio contra Monique, os jurados desclassificaram o crime para homicídio culposo. A juíza Elizabeth Machado Louro aplicou perdão judicial à ré. A decisão foi tomada após o conselho de sentença se reunir para votar os quesitos apresentados ao fim dos debates entre acusação e defesa.
Ao longo das sessões, foram ouvidos delegados, médicos legistas, peritos, familiares, babás e os próprios réus. Durante o julgamento, Monique acusou Jairinho pela primeira vez pela morte do filho. Em interrogatório, ela afirmou acreditar que o ex-vereador foi o responsável pelas agressões contra Henry. Na reta final do júri, ela chorou diversas vezes durante as sustentações das partes.
Durante a acusação, o Ministério Público exibiu vídeos e imagens de Henry ao lado do pai, Leniel Borel, além das últimas imagens da criança em um parquinho de condomínio. Também foram apresentados registros das câmeras de segurança do elevador do prédio, mostrando Henry no colo de Monique ao lado de Jairinho horas antes da morte, e fotografias da perícia realizada no Instituto Médico-Legal.
Na fase final da defesa, os advogados de Monique exibiram vídeos da criança com a mãe e sustentaram que ela teria sido vítima de violência de gênero e de um relacionamento abusivo. Jairinho, por sua vez, negou as acusações durante o julgamento.
Após a condenação, o advogado Rodrigo Facuz, que integra a defesa de Jairinho, afirmou que “certamente esse júri será anulado e ele (Jairo) será submetido a um novo julgamento”. Segundo ele, a defesa espera que, em uma nova análise do caso, tenha acesso a todos os elementos probatórios e que a decisão seja tomada com base nas provas apresentadas. Facuz declarou ainda que, na avaliação da defesa, Jairinho deveria ter sido absolvido, assim como Monique.
