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Centenário de Mãe Stella de Oxóssi: Bahia celebra legado da ialorixá que revolucionou o candomblé e a literatura

Mãe Stella de Oxóssi, foi uma das maiores yalorixás do Brasil e completaria 100 anos nesta sexta-feira (2) — Foto: Antonello Veneri/Reprodução

Nesta sexta-feira (2), a cultura baiana celebra o que seria o centenário de Maria Stella de Azevedo Santos, a eterna Mãe Stella de Oxóssi – sacerdotisa, escritora e pioneira que deixou marcas profundas na religiosidade e na intelectualidade brasileira. Primeira ialorixá eleita por unanimidade para a Academia de Letras da Bahia, ela publicou nove obras fundamentais para a compreensão do candomblé e recebeu honrarias das principais universidades baianas.

Nascida em 1925, Mãe Stella foi iniciada no candomblé aos 14 anos para Oxóssi, dedicando 80 anos de vida ao Ilê Axé Opô Afonjá, terreiro que liderou por mais de 40 anos com sabedoria e firmeza. Sua trajetória singular uniu a profundidade dos saberes tradicionais ao rigor acadêmico – em 2005, recebeu o título de doutora honoris causa pela UFBA, seguido por igual reconhecimento da UNEB em 2009.

Autora de obras como “Meu tempo é agora”, “Òsósi – O Caçador de Alegrias” e “Epé Laiyé – terra viva”, Mãe Stella transformou a literatura afro-brasileira, registrando em livros a oralidade sagrada do candomblé. Sua produção intelectual permanece como referência para estudiosos e praticantes da religião.

A sacerdotisa faleceu em 27 de dezembro de 2018, aos 93 anos, após complicações de uma infecção urinária que agravou seu quadro de saúde. Mesmo após sua passagem, seu legado continua vivo: no Opô Afonjá que ajudou a fortalecer, nas páginas de seus livros que preservam tradições, e no coração da Bahia que a reverencia como uma de suas maiores guardiãs culturais.

Neste centenário, instituições religiosas e culturais preparam homenagens à mulher que soube como poucas equilibrar a tradição e a inovação, tornando-se símbolo da resistência negra e da sofisticação intelectual do candomblé baiano. Sua vida e obra seguem inspirando novas gerações na luta pelo respeito às religiões de matriz africana.