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Cientista brasileiro desenvolve teste de saliva que promete diagnosticar Alzheimer décadas antes dos sintomas

Robert Kneschke/Shutterstock

Um avanço promissor na detecção precoce do Alzheimer pode transformar o futuro do diagnóstico da doença. Liderado pelo doutor em biotecnologia Gustavo Alves Andrade dos Santos, pesquisador colaborador da Unicamp e pós-doutor pela USP de Ribeirão Preto, um estudo brasileiro aposta no uso da saliva para identificar os primeiros sinais da enfermidade — com até 20 anos de antecedência.

A pesquisa, que começou em 2012 durante o doutorado de Santos, busca desenvolver um teste simples, não invasivo e acessível, capaz de identificar biomarcadores na saliva associados ao Alzheimer. Um dos principais alvos é a proteína tau hiperfosforilada (pTAU), encontrada em concentrações elevadas em pessoas com a doença. Segundo os estudos, ela aparece em menor grau em idosos saudáveis e praticamente não é detectada em adultos jovens.

O Alzheimer é considerado uma doença progressiva e silenciosa, que pode começar a se desenvolver muito antes da perda de memória e outros sintomas cognitivos. O novo teste ajudaria a identificar o estágio pré-clínico, quando as alterações cerebrais ainda não provocam sinais evidentes, mas já estão em curso.

Atualmente, o diagnóstico do Alzheimer é feito por exclusão, envolvendo exames de sangue, imagens e avaliações cognitivas. Com a nova tecnologia, o diagnóstico poderá ser feito de forma mais simples, segura e com maior alcance populacional — algo especialmente importante em países com menos recursos, como o Brasil.

Além do impacto na detecção, a antecipação do diagnóstico abre espaço para intervenções preventivas. Com os resultados em mãos, pacientes poderão agir antes da manifestação da doença, adotando hábitos saudáveis como atividade física, alimentação balanceada e controle de doenças como obesidade e hipertensão.

Com estimativas da Organização Mundial da Saúde apontando que até 2030 mais de 75 milhões de pessoas terão algum tipo de demência, a maioria delas por Alzheimer, o trabalho do pesquisador ganha ainda mais relevância. A equipe agora busca apoio financeiro e institucional para ampliar os testes em diferentes faixas etárias e viabilizar o produto para uso clínico.