O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (23), ganhou destaque em veículos de comunicação de diferentes países. Como manda a tradição, o Brasil foi o primeiro a falar, seguido pelos Estados Unidos, e a fala do presidente brasileiro repercutiu tanto por críticas indiretas a Washington quanto por posicionamentos sobre conflitos internacionais.
Críticas à extrema direita e recado aos EUA
O jornal britânico The Guardian destacou que Lula “lançou uma defesa da democracia de seu país”, citando a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro como exemplo de que “aspirantes a autocratas” podem ser contidos. O veículo também apontou uma referência indireta ao governo do ex-presidente Donald Trump, mencionando críticas de Lula a tentativas estrangeiras de influenciar o julgamento de Bolsonaro por meio de tarifas e “sanções arbitrárias”.
Reação americana e tensão diplomática
Nos Estados Unidos, o The New York Times relatou que Trump adotou um “tom mais suave” em relação ao Brasil após o discurso. O jornal disse que o republicano sinalizou a intenção de se encontrar com Lula na próxima semana, depois de uma fase de atritos entre os dois países. A publicação lembrou que Bolsonaro, aliado de Trump, foi condenado a 27 anos de prisão por liderar um plano de golpe após perder as eleições de 2022.
A agência Bloomberg chamou a fala de Lula de “provocação a Trump” e descreveu o clima da Assembleia como “especialmente tenso”, diante do impasse entre Brasília e Washington sobre o destino de Bolsonaro.
Israel e novas frentes de conflito
A alemã Deutsche Welle comparou o discurso deste ano aos anteriores, observando que, em 2025, Lula concentrou recados aos Estados Unidos e a Israel, diferentemente das falas de 2023 e 2024, que priorizaram o multilateralismo. A emissora lembrou que as relações entre Brasil e Israel vivem um momento de tensão, depois que o governo israelense declarou Lula persona non grata e rebaixou as relações diplomáticas em meio a críticas brasileiras à ofensiva em Gaza.
Gaza em foco
A agência turca Anadolu destacou o trecho em que Lula classificou como “genocídio” as ações em Gaza, acusando Israel de enterrar “o direito internacional” junto com as milhares de crianças palestinas mortas nos bombardeios. Segundo a agência, o tom do presidente brasileiro reforçou a defesa de uma resposta mais firme da comunidade internacional ao conflito.
