Início Brasil Congresso destina mais verbas para castração de pets do que para proteção...

Congresso destina mais verbas para castração de pets do que para proteção ao meio ambiente

Amazônia em chamas - Foto: Christian Braga/Greenpeace

O Congresso Nacional destinou a maior parte de seus recursos para o Ministério do Meio Ambiente (MMA), para castração de cães e gatos, ignorando a urgência em preservação do ambiental das florestas. Desde 2021, 54% dos R$ 249 milhões em emendas direcionadas à pasta foram para esterilização de animais domésticos, somando aproximadamente R$ 135 milhões. Segundo reportagem da Folha de São Paulo, a transferência da política de castrações para o MMA ocorreu durante o governo Bolsonaro, mudando a gestão do tema que antes era do Ministério da Saúde.

Gráfico mostra destino dos valores – Imagem Folha de São Paulo

Os dados do portal Siga Brasil revelam que na Amazônia Legal a concentração é ainda maior: 78% dos R$ 8,8 milhões em emendas para a região foram para castração de pets. O deputado federal Bruno Ganem (Podemos-SP) destinou a maior emenda individual, de R$ 16,7 milhões, para um projeto de castração via entidade com sede no Rio de Janeiro. Este valor quase dobrou o total destinado a todos os estados da Amazônia Legal no período.

Especialistas apontam desequilíbrio na alocação de recursos. Natalia Figueiredo, da Proteção Animal Mundial, afirma: “É central olhar um pouco mais para animais silvestres, que congrega tanto ICMBio quanto Ibama, do que focar somente em programas de castração”. Ela critica a instrumentalização da pauta: “É uma pauta muito palatável e fácil de ser despolitizada, porque é bonito fazer um vídeo com um cachorro ou um gato”.

A análise do comportamento parlamentar mostra divergências: na Frente em Defesa dos Animais, com maioria de centro-direita, 105 votos foram favoráveis ao PL do Licenciamento contra 52 contrários. Já na Frente Ambientalista, de perfil mais à esquerda, 90 votos foram contrários ao projeto e 45 favoráveis, evidenciando diferentes prioridades entre as bancadas.

A secretária-executiva do MMA, Anna Flávia Franco, disse que “O programa que o ministério elaborou principalmente nesta gestão vem resolver uma lacuna histórica. O animal doméstico tem que estar sob tutela do Estado também”, disse Franco, destacando que cães e gatos agora são entendidos como animais que demandam política de preservação.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, enviou nota afirmando que a definição de prioridades para emendas é responsabilidade dos parlamentares. “Considerando a dimensão continental do Brasil e suas diversidades regionais, a definição das prioridades para destinação de emendas é responsabilidade de deputados e senadores”, disse, ressaltando que as emendas seguem critérios de transparência e legalidade. A Câmara dos Deputados não se manifestou sobre o assunto.