Mensagens recuperadas pela Polícia Federal (PF) mostram atritos entre o ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o pastor Silas Malafaia durante a crise política envolvendo a imposição de tarifas dos Estados Unidos ao Brasil e as sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em diálogo de julho, Eduardo Bolsonaro xingou o pai por chamá-lo de imatura devido as controvérsias com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
“VTNC (sigla para vai tomar no c…), seu ingrato do car#lho”, escreveu. Em outra mensagem, disse que se fosse impedido de se reunir com aliados nos EUA, “quem vai se f8der é você”.
Na sequência, Eduardo comparou sua relação com Bolsonaro à que o ex-presidente tinha com Michel Temer: “Quero que você olhe para mim e enxergue o Temer. Você falaria isso do Temer”. Bolsonaro respondeu com áudios que não puderam ser recuperados pela PF.

Malafaia orienta discurso
O relatório da PF também inclui áudios de Silas Malafaia enviados a Bolsonaro. O pastor sugeriu que o ex-presidente se posicionasse contra a aplicação de sanções a ministros do STF e seus familiares pelo governo Trump. A estratégia, segundo ele, poderia servir como forma de pressão para garantir anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
“Você não vai xingar o STF, não vai esculhambar Alexandre de Moraes, mas pode dizer: ‘Não quero ver retaliações sobre ministros e suas famílias. É só resolver a questão da anistia que isso acaba’”, orientou.
Malafaia disse ainda que a fala faria Bolsonaro “sair bonito” e criticou Eduardo Bolsonaro, chamando-o de “babaca” por adotar um discurso nacionalista nos Estados Unidos. “Dei-lhe um esporro, mandei um áudio de arrombar. E disse: na próxima que tu fizer, eu faço um vídeo e te arrebento”, afirmou.
Defesa de Eduardo Bolsonaro
O deputado, que vive nos Estados Unidos desde março, publicou nota em suas redes sociais negando interferência em processos no Brasil. Ele afirmou que sua atuação no exterior busca “restabelecer as liberdades individuais” e classificou seu indiciamento pela PF como “delirante”.
“É lamentável ver a PF tratar como crime conversas privadas entre pai e filho. Se meu crime for lutar contra a ditadura brasileira, declaro-me culpado de antemão”, escreveu.
