
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado rejeitou, nesta terça-feira (14), por 6 votos a 4, o relatório que propunha o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e acabou gerando críticas sobre o recorte das investigações, marcado pela ausência de políticos, empresários e investigados ligados a facções criminosas citados no contexto do caso Banco Master.
O texto apresentado pelo relator, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), previa o indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A proposta se baseava em supostas irregularidades relacionadas ao caso Banco Master e poderia abrir caminho para pedidos de responsabilização por crime de responsabilidade.
No entanto, o relatório foi alvo de questionamentos dentro da própria comissão por não incluir outros nomes citados em investigações, como integrantes de facções criminosas, políticos e empresários ligados ao ex-dono do banco, Daniel Vorcaro. Senadores contrários ao texto afirmaram que o documento concentrava o foco em membros do Supremo e deixava de lado outros investigados no mesmo contexto.
A votação ocorreu após uma articulação política que alterou a composição da CPI minutos antes da análise do relatório. Parlamentares de oposição foram substituídos por nomes alinhados ao governo, como Teresa Leitão e Beto Faro, o que influenciou o resultado final.
Foram contrários ao relatório os senadores Teresa Leitão (PT-PE), Beto Faro (PT-PA), Humberto Costa (PT-CE), Rogério Carvalho (PT-SE), Otto Alencar (PT-BA) e Soraya Thronicke (PSB-MS). A favor do texto, além do relator, votaram senadores da oposição, enquanto o presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), não participou da votação. Com a rejeição, o relatório não foi aprovado e a CPI encerra essa etapa sem avançar no indiciamento dos ministros do STF.