
A crise humanitária no Sudão, na África, alcançou níveis críticos após cerca de mil dias de conflito armado, colocando em risco a vida de mais de 15 milhões de crianças. De acordo com relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), cerca de 30,4 milhões de pessoas no país precisam atualmente de assistência humanitária, entre elas 15,2 milhões de menores de idade.
O agravamento da situação está ligado ao prolongamento da guerra, ao deslocamento em massa de civis e ao colapso progressivo de serviços básicos. Mesmo com ações de assistência em andamento, a resposta humanitária enfrenta dificuldades devido a restrições de acesso às áreas afetadas e à falta de recursos financeiros.
A situação piorou após a tomada da cidade de El Fasher, no final de outubro de 2025, que desencadeou novos episódios de violência na região de Darfur do Norte. O avanço do conflito provocou o deslocamento de mais de 106 mil pessoas para localidades vizinhas, principalmente para Tawila, aumentando a pressão sobre infraestrutura, abrigo e serviços essenciais.
Segundo o relatório, o país registra atualmente cerca de 9,8 milhões de deslocados internos, um dos maiores números do mundo. Muitas dessas pessoas vivem em condições precárias, com acesso limitado a água potável, alimentação adequada, atendimento de saúde e abrigo seguro.
O documento também aponta impactos severos em áreas como saúde, nutrição e educação. Embora o Unicef tenha ampliado ações emergenciais — incluindo apoio a unidades de saúde, tratamento de desnutrição infantil e acesso à água para milhões de pessoas — a continuidade das iniciativas depende de financiamento adicional. O apelo humanitário da agência para 2025, estimado em US$ 950 milhões, permanece cerca de 51% sem recursos, o que ameaça a manutenção de serviços essenciais para a população afetada.