Dados oficiais da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) e análises recentes do Tribunal de Contas do Estado (TCE) não confirmam o discurso do ex-prefeito ACM Neto sobre um suposto colapso na regulação estadual. Pelo contrário: os números mostram crescimento da rede própria e desempenho considerado satisfatório pela corte de contas.
A Central Estadual de Regulação (CER) registrou mais de 300 mil solicitações atendidas apenas em 2025, funcionando 24 horas por dia com cerca de 220 médicos e equipes multiprofissionais. Segundo a Sesab, 50% das demandas são resolvidas em até um dia, e 80% em até 72 horas.
Ao mesmo tempo, a rede hospitalar sob gestão do estado continua em expansão. A Bahia opera 56 hospitais estaduais, doze deles inaugurados nos últimos anos. A estadualização do hospital de Caetité já foi concluída, com abertura marcada para 20 de dezembro. Trata-se da segunda maior rede hospitalar estadual do país, atrás apenas de São Paulo. Desde 2023, foram incorporados mais de 3,5 mil novos leitos e implantadas 26 Policlínicas Regionais, que somam mais de 8 milhões de atendimentos.
Entre 2023 e 2025, os investimentos estaduais em saúde ultrapassaram R$ 34 bilhões, incluindo obras, equipamentos e reforço de pessoal.
O que diz o TCE
O relatório citado por ACM Neto não descreve cenário de colapso. O conselheiro Inaldo da Paixão afirma que o sistema baiano “tem mostrado capacidade para organizar e coordenar os serviços, garantindo acesso a tratamentos essenciais”.
O monitoramento de 2024, analisado em 2025, reconhece a ampliação da rede hospitalar e aponta consolidação da regulação como estratégia para organizar o acesso à média e alta complexidade.
Em voto complementar, o conselheiro Gildásio Penedo classificou o modelo baiano como “absolutamente importante”, destacando a atuação contínua da central, a lista única de pacientes e critérios baseados em gravidade, sem favorecimentos.
Salvador é o ponto mais frágil na assistência
O TCE e a Sesab apontam que parte da pressão sobre o sistema regulado decorre de falhas na atenção básica, especialmente na Região Metropolitana e em Salvador, onde está a maior demanda por internações. Consultas, exames e cirurgias ambulatoriais são responsabilidade da rede municipal.
Na capital, a cobertura de Saúde da Família não atinge 70%, os Agentes Comunitários chegam a apenas 29,57%, e a Saúde Bucal cobre 41,5% da população. A maioria das gestantes não completa o pré-natal recomendado, e as coberturas vacinais infantis ficam abaixo da média estadual.
Na área hospitalar, o contraste se amplia: Salvador é hoje a única capital do país sem maternidade municipal, após 13 anos de gestões do grupo político de ACM Neto. A prefeitura administra apenas duas unidades hospitalares — ambas de porta fechada — enquanto a população depende principalmente de UPAs superlotadas e leitos estaduais.
O estado mantém 39 unidades de saúde na capital, entre hospitais, maternidades, UPAs e centros especializados. Entre 2023 e 2025, as obras e modernizações desse conjunto somam R$ 585 milhões, com outros R$ 211 milhões em intervenções em andamento.
Financiamento
O governo estadual também questiona o uso dos recursos federais. Enquanto Salvador recebe cerca de R$ 722 milhões anuais para manter sua rede, a Bahia recebe R$ 941 milhões para sustentar hospitais, maternidades e policlínicas em todo o estado. Mesmo assim, mais de 80% das transferências das UPAs municipais acabam em hospitais estaduais, reforçando a dependência da estrutura baiana.
