Cinco comissões da Câmara dos Deputados aprovaram, em votação simbólica e sem debate público, o destino de R$ 7,6 bilhões em emendas ao Orçamento. As sessões duraram segundos, sem detalhes sobre a distribuição dos recursos ou quais parlamentares foram beneficiados. Em uma das comissões, a de Turismo, apenas um deputado estava presente durante a decisão.
Os colegiados de Saúde (R$ 3,8 milhões), Integração Nacional (R$ 1,2 bilhão), Esporte (R$ 1 bilhão), Turismo (R$ 950 mil) e Desenvolvimento Urbano (R$ 550 mil) liberaram as verbas. Apenas a Comissão de Agricultura (R$ 100 mil) não votou. Parlamentares criticaram a falta de transparência: “Qual a relação? Quais Estados? Quais bancadas?”, questionou Paulo Guedes (PT-MG).
Reação
Guedes classificou o processo como “votação relâmpago” e cobrou explicações da presidente da Comissão de Integração, Yandra Moura (União-SE): “Estamos fazendo papel de quê aqui? De besta?”. Ela rebateu: “Trabalhamos como sempre foi feito”. As indicações partiram de líderes partidários, segundo os presidentes das comissões.
Desfecho e Próximos Passos
As emendas agora serão enviadas ao governo, que decide se libera os recursos. Pela regra, o Planalto deve divulgar os nomes dos deputados autores das indicações. O valor total de emendas de comissão em 2024 chega a R$ 11,5 bilhões (R$ 7,7 bi para a Câmara e R$ 3,8 bi para o Senado). A Folha de S. Paulo adiantou que os presidentes das comissões se reuniram previamente com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), antes da votação.
