Empresários, executivos e um servidor da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Salvador são investigados por participação em um esquema que desviou ao menos R$ 100 milhões do Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2013 e 2019. A apuração faz parte da Operação Dia Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF), que aponta o Instituto Nacional de Tecnologia em Saúde (INTS) como o centro da operação irregular.
De acordo com o relatório da PF, integrantes do grupo utilizaram empresas de fachada para lavar dinheiro, incluindo duas lavanderias ligadas a Ariovaldo Nonato Borges Júnior, servidor da SMS e um dos principais alvos da investigação. As empresas Soft Lavanderias e MD Lavanderia, ambas registradas em nome de Ariovaldo, foram incluídas na lista de bens bloqueados por ordem judicial.
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A Soft Lavanderias, aberta em 2016 como franquia da rede Dry Clean e instalada no Shopping Bela Vista, é apontada como provável destino de recursos do INTS, transferidos por empresas intermediárias, como a Jet Informática — registrada em nome de dois laranjas, mas atribuída ao próprio Ariovaldo. A investigação também identificou que, antes de Ariovaldo, a Soft pertencia a Fábio Finamori, então diretor de contratos do instituto e também investigado na operação.
A MD Lavanderia, localizada em Brotas e vinculada à rede argentina Laundromat, foi aberta em 2013, mesmo ano em que o INTS firmou contrato com a SMS, e também entrou na mira da PF.
Além das lavanderias, a PF identificou que uma loja de roupas infantis chamada Bambino & Cia, situada no Empório Itaigara, também teria sido usada para lavagem de dinheiro. A empresa, fundada em 2015 e registrada em nome de Ariovaldo Júnior, teve os bens bloqueados pela Justiça.
As investigações indicam que Ariovaldo manipulou dados em processos de licitação vencidos pelo INTS, vazou informações privilegiadas e influenciou a renovação de contratos com a SMS. Os fatos foram levantados a partir de documentos, movimentações financeiras e ligações entre os envolvidos.
A Polícia Federal cumpriu, no último dia 12, 25 mandados de busca e apreensão em Salvador, Mata de São João, Itapetinga e Maceió, em Alagoas. A Justiça Federal da Bahia conduz o processo.
A operação segue em curso para identificar o destino dos recursos desviados e os demais envolvidos no esquema.
