A Controladoria-Geral da União (CGU) constatou que associações investigadas por descontos indevidos na folha de aposentados do INSS operavam em sedes sem infraestrutura adequada para atender seus milhares de associados. Durante vistorias realizadas em abril de 2024, a CGU encontrou desde salas comerciais mínimas até imóveis residenciais improvisados. Uma das entidades em Brasília, a CBPA, funcionava em uma “pequena sala comercial” sem condições de prestar serviços aos mais de 360 mil associados espalhados por 3.677 cidades.
A operação da PF e da CGU, deflagrada na quarta-feira (23), investiga um esquema que teria desviado R$ 6,3 bilhões de benefícios entre 2019 e 2024. As entidades, que tinham acordos com o INSS para descontar mensalidades diretamente na folha de pagamentos, ofereciam supostos benefícios como descontos em academias e planos de saúde. No entanto, auditoria revelou que muitas sequer tinham estrutura para prestar esses serviços, terceirizando todas as atividades.
Entre os casos mais graves, a Ambec (São Paulo) mantinha apenas um funcionário presencial no dia da vistoria, enquanto a Unaspub (Belo Horizonte) operava em um imóvel residencial. A AAPPS Universo (Aracaju) ocupava um espaço alugado com mobiliário escasso. Apenas três entidades – AAPB e AAPEN (Fortaleza) e Conafer (Brasília) – tinham estruturas físicas mais robustas, mas insuficientes para atender associados em todo o país.
O Sindinapi, de São Paulo, discordou dos dados da CGU, afirmando ter 80 subsedes em vez das 57 relatadas. Das oito entidades vistoriadas, apenas esta se manifestou. As demais não responderam às críticas sobre a inadequação de suas estruturas para justificar os bilhões descontados dos aposentados. A operação continua apurando possíveis irregularidades no sistema de descontos automáticos do INSS.
Com informações da Folha de São Paulo
