Durante participação no Papo Socialista, podcast oficial do Partido Socialista Brasileiro (PSB), o jornalista Yuri Almeida, especialista em comunicação digital e redes sociais, fez uma análise crítica sobre o atual momento da esquerda brasileira, destacando a perda de capacidade de mobilização popular e a estagnação nas estratégias de comunicação.
Segundo Yuri, que é Mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), a esquerda teve papel fundamental em momentos históricos da democracia brasileira, como a campanha pelas Diretas Já, o impeachment de Fernando Collor e as eleições de Lula e Dilma Rousseff. No entanto, ele aponta que as práticas de mobilização usadas naquela época não acompanharam as transformações da era digital.
“As estratégias ficaram no passado. Não dá mais para achar que colocar uma Kombi na praça, tocando Edson Gomes e distribuindo panfletos, vai funcionar hoje. Isso teve impacto no seu tempo, mas hoje vivemos uma realidade de redes sociais, de comunicação instantânea e digitalizada”, afirmou.
Yuri ressaltou que, apesar da esquerda ter os maiores números de filiados entre os partidos políticos, segundo dados do TSE e pesquisas recentes como a da Quaest, sua atuação nas redes sociais ainda é deficiente. “Temos militância, temos base, mas falta ocupação qualificada das redes e novas formas de mobilização”, disse.
O jornalista também abordou o contexto específico da Bahia, onde o Partido dos Trabalhadores (PT) está à frente do governo estadual há 18 anos. Para ele, parte da dificuldade atual vem da acomodação institucional e da migração de lideranças das ruas para os gabinetes.
“O que acontece é que, ao vencer o processo eleitoral, a esquerda retira seus quadros da militância de base – da UNE, dos sindicatos, dos movimentos sociais – e os coloca em cargos administrativos. Isso enfraquece o braço de mobilização”, analisou.
Ele ainda destacou mudanças na dinâmica das comunidades periféricas, onde antes atuavam associações de moradores e sindicatos, hoje substituídos em grande parte por igrejas evangélicas. “Essas instituições, em muitos casos, têm uma linha de pensamento moral mais alinhada à direita, o que cria um novo desafio para a esquerda reconectar-se com essas bases”, concluiu.
