A influenciadora digital Deolane Bezerra reagiu nesta terça-feira (10) à divulgação do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, que pediu seu indiciamento e o de outras 15 pessoas e empresas por envolvimento com apostas on-line irregulares. “Está faltando nomes aí”, escreveu ela nas redes sociais, em resposta à repercussão da lista divulgada pela relatora da CPI, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS).
O relatório da CPI, elaborado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), aponta indícios de crimes como propaganda enganosa, estelionato, lavagem de dinheiro e operação de apostas sem autorização legal.
No caso de Virgínia Fonseca, a CPI afirma que ela usava contas falsas para simular ganhos em apostas on-line. Segundo a relatora, a prática induzia seguidores ao erro. “Não há dúvida de que esses vídeos de apostas irreais induzem os seus seguidores em erro”, declarou Soraya. A senadora também acusou Virgínia de ter assinado contratos nos quais receberia 30% do valor perdido pelos seguidores que apostassem por meio de links indicados por ela. Virgínia negou a prática, mas documentos apresentados à CPI confirmariam o recebimento desse percentual.
Em publicações nas redes sociais, Virgínia incentivava seguidores a apostarem. “Está dando muito dinheiro! Uma seguidora entrou no link, botou R$ 20 e ganhou R$ 4 mil, corram”, escreveu a influenciadora.
A CPI também destacou que esse tipo de jogo, conhecido como “tigrinho”, utiliza algoritmos não auditáveis, o que permitiria manipulação dos resultados.
Sobre Deolane Bezerra, o relatório sustenta que a influenciadora manteve vínculo com uma plataforma de apostas não autorizada a operar pelo Ministério da Fazenda. Mesmo sem autorização, a empresa anunciava falsamente ter licença federal. “A empresa anuncia falsamente em sua página na rede social Instagram que teria autorização do órgão federal para atuar”, afirma o parecer, que cita possível prática de estelionato.
Deolane já foi presa em outra investigação relacionada a apostas e lavagem de dinheiro, acusação que ela nega. Apesar de atualmente não constar oficialmente como sócia da empresa investigada, a CPI aponta suspeitas de ocultação de patrimônio. “A ocultação da verdadeira condição de Deolane na empresa, que se viu representada por possíveis ‘laranjas’, com repasses a título de propaganda, pode caracterizar, também, o delito de lavagem de dinheiro”, diz o relatório.
O documento final da CPI ainda será votado pelos membros da comissão.
