
Um grupo de 49 sul-africanos brancos chegou aos Estados Unidos nesta segunda-feira (12), onde recebeu status de refugiado. Eles fazem parte da comunidade africâner, descendente de colonos europeus, e foram recebidos no Aeroporto Internacional de Dulles, próximo a Washington, por autoridades americanas. “Quando você tem sementes de qualidade, pode plantá-las em solo estrangeiro e elas florescerão. Estamos entusiasmados em recebê-los em nosso país”, declarou o vice-secretário de Estado, Christopher Landau.
A entrada dos africâneres nos EUA ocorre após uma ordem executiva do presidente Donald Trump, que suspendeu o reassentamento de refugiados de outras regiões, inclusive de zonas de guerra. Segundo o governo americano, o grupo foi priorizado por estar supostamente sofrendo “discriminação racial” na África do Sul. “Se eles são brancos ou negros não é importante para mim, mas são agricultores brancos que estão sendo brutalmente assassinados”, disse Trump. Ele afirmou ainda que os EUA não participarão do G20 na África do Sul enquanto, segundo ele, a “discriminação contra os africâneres” continuar.
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A decisão gerou críticas de organizações de direitos humanos e representantes políticos. A Human Rights Watch afirmou que a medida representa uma “distorção racial cruel”, ao favorecer um grupo branco enquanto milhares de refugiados negros e afegãos seguem com pedidos negados. A advogada Melissa Keaney, do Projeto Internacional de Assistência a Refugiados, disse que “há muita hipocrisia e tratamento desigual”, lembrando que mais de 120 mil refugiados com aprovação condicional seguem sem perspectiva de entrada nos EUA desde a suspensão do Programa de Admissão de Refugiados. A Igreja Episcopal anunciou que deixará de colaborar com o governo no reassentamento de refugiados em protesto contra o tratamento preferencial.
O governo sul-africano rejeitou as acusações de perseguição. O presidente Cyril Ramaphosa afirmou que “esse grupo não se qualifica como refugiado porque não enfrenta perseguição política, religiosa ou econômica”. Segundo ele, a lei que permite o confisco de terras sem compensação ainda não foi aplicada e busca corrigir desigualdades históricas na distribuição de terras no país. Dados mostram que, embora mais de 90% da população sul-africana seja negra, apenas 4% das terras privadas estavam em mãos de pessoas negras em 2017.
A política da Casa Branca tem implicações diretas para milhares de solicitantes de asilo. Ao abrir as portas exclusivamente para sul-africanos brancos, os EUA efetivamente fecharam o programa para refugiados de outras origens, especialmente negros e pessoas de países em conflito. O democrata Gregory Meeks afirmou que a medida representa “um apelo racista velado” e uma tentativa de “reescrever a história por conveniência política”. A ACNUR, agência da ONU para refugiados, confirmou que não participou do processo de triagem, o que contraria os protocolos tradicionais para concessão de refúgio.
Confira a matéria da Globo News