O governo dos Estados Unidos concluiu uma investigação comercial e recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. O resultado foi divulgado nesta terça-feira (2) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e, se implementado, o percentual será somado à tarifa de 25% anunciada nesta semana contra o Brasil, além dos 10% já aplicados pelo governo de Donald Trump a produtos de diversos países.
Segundo o relatório, o Brasil não teria imposto e aplicado de forma efetiva uma proibição à importação de produtos fabricados com trabalho forçado. O USTR afirma que essa falha é “irrazoável” e que “onera ou restringe o comércio dos EUA”. De acordo com o documento, produtos produzidos com trabalho forçado poderiam entrar no território brasileiro, ser incorporados a mercadorias nacionais e posteriormente exportados ou competir com produtos americanos.
A proposta integra uma ação mais ampla que alcança dezenas de economias. O governo americano dividiu os países em dois grupos: um sujeito a tarifas adicionais de 10% e outro a sobretaxas de 12,5%. O Brasil aparece na segunda categoria, ao lado de países como Argentina, China, Índia, Japão, Reino Unido, Rússia e África do Sul.
Em comunicado, a embaixadora Jamieson Greer afirmou que a falta de medidas mais rigorosas por parte dos parceiros comerciais cria condições desiguais para trabalhadores americanos. O governo dos EUA argumenta que a ausência de barreiras efetivas à importação de bens produzidos com trabalho forçado prejudica empresas que não utilizam essa prática e permite concorrência considerada desleal.
Antes de qualquer implementação, consultas públicas ainda serão realizadas. A expectativa do governo americano é concluir o processo até julho, quando o presidente Donald Trump deverá decidir se adota ou não as novas tarifas propostas pelo USTR.
