A primeira audiência entre os ex-patroas da trabalhadora doméstica resgatada em trabalho análogo à escravidão em Itabuna e o Ministério Público do Trabalho (MPT) terminou sem acordo para pagamento de verbas rescisórias e indenizatórias. As acusadas alegaram dificuldades financeiras.
A sessão virtual ocorreu na tarde desta segunda-feira (24), horas após a divulgação da operação que resgatou a idosa de 64 anos. O MPT marcou uma nova tentativa de conciliação para a próxima sexta-feira (29), na esperança de evitar uma ação civil pública contra as duas mulheres acusadas de explorar a vítima. Enquanto isso, a trabalhadora recebe apoio da assistência social, que já garantiu uma nova moradia e tenta restabelecer o pagamento de sua pensão por morte, benefício retido pelos empregadores por anos.
De acordo com a procuradora do Trabalho Maniella Gedeon, a maior dificuldade nas negociações é a capacidade financeira das empregadoras. A vítima começou a trabalhar aos 14 anos para o avô de uma das acusadas e, ao longo de décadas, foi repassada entre familiares, sempre sem remuneração digna. Seus relatos incluem ter engravidado de um vizinho, ter o bebê levado para destino desconhecido e, após a morte do pai da criança, ter a pensão do INSS apropriada pelos exploradores.
A operação de resgate foi conduzida por uma força-tarefa com MPT, MTE, DPU e Polícia Federal. Além da retenção da pensão e exploração laboral, a vítima sofria maus-tratos, vivia em condições precárias, sem cuidados médicos e foi encontrada sem dentes. Sua identidade e a de seus ex-empregadores permanecem sob sigilo para garantir sua segurança.
