Uma poderosa explosão atingiu o Porto Shahid Rajaee, o maior porto comercial do Irão, no último sábado (26), provocando pelo menos 40 mortos e mais de 1.000 feridos, segundo autoridades locais. A tragédia ocorreu durante o armazenamento de contêineres na área do cais, que movimenta cerca de 85% das mercadorias do país. O chefe da autoridade de gestão de crises da província de Hormozgan, Mehrdad Hassanzadeh, relatou que o incêndio levou mais de 20 horas para ser controlado. A explosão, ouvida a cerca de 50 quilómetros de distância, causou danos severos aos edifícios do porto e obrigou ao encerramento de escolas e escritórios em Bandar Abbas.
Apesar de não haver indícios imediatos de ataque, o governo iraniano colocou os serviços de segurança em alerta máximo, dada a sensibilidade do momento em que decorriam negociações nucleares com os Estados Unidos em Omã. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o líder supremo, Ali Khamenei, ordenaram uma investigação rigorosa para apurar eventuais negligências ou intenções criminosas. Entretanto, a Rússia enviou duas aeronaves para auxiliar no combate ao incêndio, enquanto autoridades locais pediam doações de sangue para socorrer os feridos.
A causa da explosão ainda está por esclarecer. Embora o governo negue a presença de materiais militares na área afetada, fontes citadas pelo New York Times e pela empresa de segurança privada Ambrey apontam para a possibilidade de um incêndio num carregamento de perclorato de sódio, utilizado na fabricação de propulsores para mísseis. As autoridades alfandegárias do porto também admitiram que a área afetada armazenava materiais perigosos e produtos químicos, intensificando a suspeita de más práticas de armazenamento.
Este incidente ocorre meses após outro desastre mortal no Irão, quando uma explosão numa mina de carvão em Tabas matou mais de 50 pessoas. O Porto Shahid Rajaee, situado no estratégico Estreito de Ormuz, é um eixo vital para o comércio e exportação iranianos, reforçando a gravidade do impacto económico e logístico desta nova tragédia.
