O tema será debatido na Audiência Pública, marcada para o dia 28 de março, às 9h, na Câmara de Vereadores
A falta de controle sobre as cargas de cacau, que chegam ao Porto de Ilhéus sem inspeção qualificada, causa preocupação aos produtores e especialistas. Nos países africanos de onde o cacau é importado, já foram identificadas pragas, como o broto inchado, cujo impacto pode ser mais devastador que a vassoura-de-bruxa. A ausência de barreiras sanitárias eficientes potencializa o risco de uma nova crise agrícola, prejudicando não apenas os produtores, mas toda a economia regional.
A importação de cacau africano sem fiscalização adequada pode colocar em risco a lavoura cacaueira do Brasil todo, especialmente na Bahia, pois a economia da região foi a principal afetada pela vassoura-de-bruxa, principalmente nos anos 1990. A praga causou desemprego, queda na produção, falência de fazendas e queda no preço do cacau no mercado internacional.
O tema será debatido na Audiência Pública sobre os riscos fitossanitários da importação de cacau, marcada para o dia 28 de março, às 9h, na Câmara de Vereadores de Ilhéus. O evento é organizado pela Associação Nacional de Produtores de Cacau (ANPC) e pelo Sindicato Rural de Ilhéus.
Como a produção nacional ainda não atende à demanda, a importação de cacau ainda é necessária para a indústria. Mas, sem fiscalização rigorosa, as possibilidades do setor cacaueiro sofrer um novo colapso são altas. A audiência também discutirá a Instrução Normativa 125 (IIN 125), que define os procedimentos para a importação de cacau, e questionará e revisará se essa regulamentação está sendo aplicada efetivamente.
Contexto
A chegada do navio Rubina, de bandeira portuguesa, que atracou no Porto de Ilhéus em fevereiro deste ano, carregando 16.000 toneladas de cacau, causou tanto ânimo quanto preocupação. Com 180 metros de comprimento e 32 metros de largura, a embarcação é uma das maiores já recebidas na cidade. A operação para sua chegada envolveu mais de 150 trabalhadores, operando em turnos de 24 horas ao longo de 20 dias.
A carga transportada pelo Rubina é avaliada em aproximadamente R$875 milhões, evidenciando a relevância econômica da importação para a região. Mas o grande volume de cacau importado despertou a vigilância e relembrou a necessidade de um controle rigoroso para evitar impactos irreversíveis na produção local.
