Início Bahia Família de Daniel Vorcaro realizou obra irregular em praia baiana

Família de Daniel Vorcaro realizou obra irregular em praia baiana

Reprodução/Agência Pública

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) identificou uma série de irregularidades na construção de um beach club localizado na Praia de Araçaípe, em Arraial d’Ajuda, distrito de Porto Seguro. A obra ocupa uma área estimada em cerca de 6 mil metros quadrados, às margens da Estrada da Balsa, em um trecho considerado sensível do ponto de vista ambiental e patrimonial.

De acordo com apuração do jornalista Thiago Domenici, da Agência Pública, a intervenção é de responsabilidade da empresa Milo Investimentos S.A. A companhia tem como diretores Henrique Moura Vorcaro e Natalia Bueno Vorcaro Zettel, familiares de Daniel Vorcaro, empresário e dono do Banco Master, preso em novembro de 2025. A família é investigada pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras e desvio de recursos.

Durante vistoria realizada no início de janeiro, técnicos do Iphan constataram a remoção total da vegetação de restinga no local, sem autorização prévia. Esse tipo de vegetação é protegido por lei e classificado como Área de Preservação Permanente (APP) pelo Código Florestal, o que torna a intervenção ainda mais grave do ponto de vista ambiental.

O órgão federal informou ainda que a obra está inserida em uma área tombada, pertencente ao Conjunto Arquitetônico e Paisagístico de Porto Seguro. Segundo o Iphan, a fiscalização já havia identificado o avanço das construções em novembro do ano passado e, na inspeção mais recente, verificou a instalação de piscinas e estruturas de madeira em fase final. Técnicos avaliam que, diante dos danos e da ausência de licenças federais, a regularização do empreendimento é considerada pouco provável.

Além das questões ambientais e patrimoniais, o imóvel acumula débitos de IPTU desde 2022, o que, conforme a legislação municipal, impediria a emissão de alvarás. O Iphan solicitou esclarecimentos à Prefeitura de Porto Seguro e à Secretaria do Patrimônio da União para verificar se a obra também ocupa terrenos de marinha. Procurado, um representante identificado como locatário da área afirmou que se trata apenas de uma reforma com autorização municipal e negou irregularidades ambientais, enquanto a prefeitura não se pronunciou.