A deputada estadual Fátima Nunes (PT) propôs a realização de uma sessão especial na Assembleia Legislativa da Bahia para relembrar o Massacre de Eldorado do Carajás, que completa mais um ano neste 17 de abril.
O episódio, considerado um dos mais violentos conflitos agrários do Brasil, aconteceu em 1996, no Pará, quando 19 trabalhadores rurais sem-terra foram mortos durante uma ação policial. A data virou símbolo da luta pela reforma agrária no país.
Ao comentar a iniciativa, a parlamentar destacou a importância de manter viva a memória do caso e fez críticas à concentração de terras no Brasil.
“É uma data que jamais deve ser esquecida. Uma data que continua doendo no nosso coração, porque, lamentavelmente, o latifúndio e a concentração de terra ainda existem fortemente. Muitas leis que ajudam a partilhar a terra ainda são insuficientes”, afirmou.
Fátima Nunes também relembrou o impacto do episódio e de outras mortes ligadas à luta no campo. “Naturalmente, a gente faz memória a eles no dia 17, um dia horroroso, triste, fatídico, e a muitos outros e outras que também perderam suas vidas nessa batalha”, disse.
A deputada ainda ressaltou a atuação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), destacando a resistência do movimento ao longo dos anos. “Consideramos que o MST é um movimento forte, que luta, que resiste e que, graças a essa resistência, muitas conquistas já foram obtidas”, pontuou.
Durante a fala, ela também comentou sobre políticas públicas voltadas ao campo, citando a retomada do Ministério do Desenvolvimento Agrário no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a deputada, a recriação da pasta representa um avanço, mas ainda há desafios.
“A volta do presidente Lula trouxe de volta o Ministério do Desenvolvimento Agrário, um novo ar, um reforço para o INCRA, que quase foi extinto. Mas ainda precisamos de muita força no Parlamento para ampliar o orçamento e realizar a reforma agrária de verdade”, declarou.
Por fim, Fátima Nunes defendeu mais investimentos para a agricultura familiar. “Terra, trabalho, investimento, crédito e preço justo. Toda a tecnologia que existe em outros setores da agricultura precisa chegar também à agricultura familiar, que é desenvolvida nos assentamentos”, concluiu.
