
Segundo MPBA, Salvador não atende Meta 1 do Plano Nacional de Educação
Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta que o programa Bolsa Família não reduz a participação das mulheres no mercado de trabalho. O levantamento indica que um dos motivos para o afastamento do vínculo empregatício ocorre devido às responsabilidades domésticas e ao cuidado com a família, tarefas que mulheres acumulam em média dez horas a mais por semana que os homens.
Segundo o FMI, a presença feminina na força de trabalho é essencial para o crescimento econômico do país. Se a diferença entre a participação de homens e mulheres fosse reduzida de 20 para 10 pontos percentuais até 2033, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil poderia crescer meio ponto percentual, aponta o estudo. Os dados também destaca que quase 85% das famílias beneficiárias do Bolsa Família são chefiadas por mulheres, que administram a renda recebida pelo programa.
Em entrevista a revista Exame, a economista Lorena Hakak, cofundadora e presidente da Sociedade de Economia da Família e do Gênero (GeFam), as mulheres são as principais responsáveis por crianças, idosos e pessoas dependentes. A economista ainda relata que nas metrópoles o problema se agrava com tempo de deslocamento para os postos de trabalho.
“No caso de mães com filhos de até seis anos, a insuficiência de vagas em creches e a baixa oferta de serviços de cuidado em tempo integral ampliam essa restrição”, diz Hakak destacando a divisão desigual do cuidado e à insuficiência de creches.
Em Salvador, capital baiana, o acesso a creches e pré-escolas tem sido alvo de queixas recorrentes da população. Em julho de 2025, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) emitiu uma Recomendação Conjunta à Prefeitura, cobrando medidas urgentes para ampliar vagas para crianças de 0 a 5 anos. A recomendação cita o descumprimento da Meta 1 do Plano Nacional de Educação (PNE), que exige universalização da pré-escola para crianças de 4 e 5 anos até 2016 e oferta de vagas em creches para ao menos 50% das crianças de 0 a 3 anos até 2024.
O MP-BA enviou ao Notícias da Bahia uma nota informando que, no último dia 2 de fevereiro, expediu ofício cobrando respostas da Prefeitura e questionando a adoção das medidas recomendadas desde de 2025. Segundo o órgão, até o momento não houve retorno da administração municipal. O Ministério Público da Bahia anunciou também que convocará audiência com representantes da Prefeitura para obter esclarecimentos sobre a aplicação da Lei Federal 14.851/2024 e o cumprimento da Meta 1 do PNE.
A redação do Notícias da Bahia procurou a prefeitura de Salvador para um posicionamento e até o momento não tivemos respostas. O espaço segue aberto para manifestação.
De acordo com uma apuração da redação do Notícias da Bahia, enquanto a capital baiana enfrenta filas de espera por vagas, cidades outras grandes cidades, apresentam números opostos. Em Lauro de Freitas, cidade vizinha a capital, a Secretaria Municipal de Educação (SEMED) informou que disponibilizou 2.132 vagas para creches e 3.249 vagas para pré-escola. O NB solicitou o levantamento da quantidade de matriculas realizadas, mas não houve um retorno sobre o envio da informação.
Em Feira de Santana, a rede municipal oferece 3.575 vagas em creches, com 3.277 matriculadas, e 8.333 vagas na pré-escola, com 7.292 crianças matriculadas, totalizando 11.908 vagas para crianças de 0 a 5 anos.
Com informações do repórter Wandel Cerqueira