Início Internacional Guerra em Gaza registra maior número de jornalistas mortos na história

Guerra em Gaza registra maior número de jornalistas mortos na história

Jornalistas mortos em Gaza - Foto: AFP

O ano de 2024 registrou o maior número de jornalistas e profissionais de mídia mortos em zonas de conflito desde que há registros, segundo o Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ). Quase dois anos após o início da guerra entre Israel e Hamas, em outubro de 2023, a Faixa de Gaza concentra o maior número de vítimas entre trabalhadores de imprensa.

De acordo com o Sindicato dos Jornalistas Palestinos, até agosto de 2025, ao menos 246 jornalistas morreram em Gaza, 520 ficaram feridos e cerca de 800 familiares de profissionais da área também perderam a vida. O total de mortes supera a soma de sete guerras anteriores, incluindo as duas Guerras Mundiais, a da Coreia, a do Vietnã, a da Iugoslávia, a do Afeganistão e a Guerra Civil Americana, que juntas resultaram em 229 mortes de profissionais de mídia.

Levantamento da Universidade Brown, nos Estados Unidos, publicado em abril, já mostrava que Gaza havia ultrapassado outros conflitos em número de mortes de jornalistas. O estudo ressalta que os números podem variar de acordo com os critérios e frequência de atualização das organizações que monitoram os dados, mas conclui que Gaza tem a média mais alta já registrada: 13 profissionais mortos por mês desde outubro de 2023. Para efeito de comparação, no Iraque, entre 2003 e 2022, a média foi de 13 mortes por ano.

Apesar disso, pesquisadores afirmam que não é possível definir Gaza como o conflito mais letal da história para jornalistas, já que números da Síria e do Iraque podem ser superiores. A Rede Síria para os Direitos Humanos estima mais de 700 jornalistas mortos desde 2011, enquanto registros do Iraque apontam cerca de 300 mortes. Entre 2003 e 2022, quase 35% dos profissionais de imprensa mortos em conflitos estavam nesses dois países.

Segundo o International News Safety Institute (INSI), nove em cada dez jornalistas mortos em conflitos são cidadãos locais. Em 2023, esse percentual chegou a 98%. Nesta segunda-feira (25), cinco jornalistas palestinos foram mortos em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, após bombardeio israelense ao hospital Nasser. Israel reconheceu que as vítimas não tinham ligação com o Hamas e anunciou investigação sobre o caso.