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Hugo Motta cita voto do PT contra Constituição de 88 e toma invertida de Benedita da Silva

Presidente da Câmara, Hugo Motta - Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

A sessão que aprovou o PL da Dosimetria, na madrugada desta quarta-feira (10), foi marcada por um embate direto entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e parlamentares do PT. Motta tentou reagir às críticas do líder petista Lindbergh Farias (RJ), mas acabou sendo publicamente corrigido pelos próprios constituintes do partido.

O conflito começou quando Lindbergh citou Ulysses Guimarães ao criticar a condução da votação. O deputado lembrou que Motta, em seu discurso de posse, exaltou o legado do presidente da Constituinte e mencionou o filme Ainda Estou Aqui, que aborda o desaparecimento de Rubens Paiva durante a ditadura.

Lindbergh disse que o PL da Dosimetria tem, segundo ele, o objetivo de reduzir penas de militares golpistas e do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele acusou Motta de “interferir em um julgamento em curso” e afirmou que o presidente da Câmara estaria “cometendo um crime” ao pautar o projeto.

A tentativa de resposta, e o desmentido na sequência

Motta reagiu acusando o PT de “incoerência histórica”, afirmando que o partido não teria legitimidade para citar Ulysses Guimarães porque votou contra a Constituição.

“Escuto integrantes do PT invocarem a figura de Ulysses Guimarães, quando o próprio partido votou contra a atual Constituição. Isso é uma incoerência muito histórica”, declarou Motta.

A fala, no entanto, gerou reação imediata no plenário.

Minutos depois, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que participou da Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, pediu a palavra para corrigir o presidente da Casa. Ela lembraria — antes de ser interrompida — que, apesar de divergências com trechos considerados conservadores, o PT assinou a Constituição após a aprovação, reconhecendo o texto final.

Mesmo diante da tentativa de explicação, Motta insistiu: “O que disse é que o PT votou contra a Constituição. E isso é uma verdade.”

O que realmente ocorreu em 1988

O PT de fato votou contra o texto final da Constituição de 1988 em protesto a alguns pontos, como:

  • a autonomia das Forças Armadas;
  • a manutenção da jornada de trabalho acima de 40 horas semanais.

Ainda assim, os parlamentares petistas assinaram o documento, registrando apoio à Constituição promulgada — algo que Benedita tentava lembrar ao presidente da Câmara antes de ser interrompida.