Ricardo Galvão foi incluído pela revista Nature entre os 10 cientistas que se destacaram em 2019, no mesmo ano em que foi exonerado por Bolsonaro – Divulgação
Galvão ganhou notoriedade com a sua atuação à frente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de 2016 a 2019
Caroline Oliveira
Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
O cientista Ricardo Galvão foi nomeado o novo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. O anúncio oficial deverá ser feito nesta terça-feira (17), durante uma cerimônia em Brasília.
Professor de física da Universidade de São Paulo (USP), Galvão ganhou notoriedade com a sua atuação à frente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de 2016 a 2019. No primeiro ano do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Galvão foi demitido após alertar para o aumento de desmatamento na Amazônia.
“Mandei ver quem está à frente do Inpe. Até parece que está a serviço de alguma ONG, o que é muito comum”, disse Bolsonaro à época. “Com toda a devastação que vocês nos acusam de estar fazendo e de ter feito no passado, a Amazônia já teria se extinguido.”
Em resposta, Galvão afirmou que “ao fazer acusações sobre os dados do Inpe, na verdade ele [Bolsonaro] faz em duas partes. Na primeira, ele me acusa de estar a serviço de uma ONG internacional. Ele já disse que os dados do Inpe não estavam corretos segundo a avaliação dele, como se ele tivesse qualidade ou qualificação de fazer análise de dados”.
Na época, o relatório do Inpe apontou para um desmatamento na Amazônia de 88% em junho de de 2019 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Agora, no comando do CNPq, o professor da USP será responsável por uma das principais agências brasileiras de fomento à pesquisa e bolsas de estudos de pós-graduação, que estão sem reajuste há pelo menos 10 anos. Hoje, os pesquisadores de mestrado e doutorado recebem bolsas de R$ 1.500 e R$ 2.200, respectivamente.
Trajetória
Ricardo Galvão é formado em engenharia de telecomunicações pela Universidade Federal Fluminense (UFF), doutor em Física de Plasmas Aplicada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
Ele também já foi diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, entre 2004 e 2011, presidente da Sociedade Brasileira de Física (2013-2016) e integrante do Conselho Científico da Sociedade Europeia de Física (2013-2016). Hoje, Galvão faz parte da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e da Academia Brasileira de Ciências.
Seu nome foi incluído, em 2021, pela revista Nature entre os 10 cientistas que se destacaram em 2019, no mesmo ano em que foi exonerado por Bolsonaro. Também em 2021, recebeu o prêmio internacional da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) na categoria liberdade e responsabilidade científica.
Nas eleições de 2022, ele se candidatou a deputado federal pela Rede Sustentabilidade em São Paulo, mas não foi eleito.
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