O Parlamento do Irã aprovou nesta quarta-feira (25), a suspensão da cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), após os recentes ataques dos Estados Unidos e de Israel a instalações nucleares iranianas. A decisão foi tomada um dia após a entrada em vigor do cessar-fogo intermediado por Donald Trump e é uma resposta à suposta omissão da AIEA, que não condenou as ofensivas.
Julgado como um gesto de retaliação, o rompimento foi aprovado por ampla maioria dos parlamentares iranianos. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou a agência da ONU de perder credibilidade por não proteger o Irã. Com a medida, inspetores da AIEA ficam proibidos de entrar no país até que a segurança das instalações nucleares esteja garantida.
O diretor da AIEA, Rafael Grossi, afirmou que o objetivo principal da agência é retomar as inspeções e avaliar os impactos dos bombardeios. Parte do Parlamento iraniano chegou a pedir sua expulsão do país, mas a proposta não avançou.
Enquanto Trump afirma que os ataques destruíram completamente o programa nuclear iraniano, um relatório confidencial vazado da Inteligência de Defesa dos EUA aponta que os danos foram limitados. Segundo o documento, as estruturas subterrâneas seguem intactas, as centrífugas não foram atingidas e cerca de 400 kg de urânio enriquecido desapareceram antes dos bombardeios.
A Casa Branca confirmou a autenticidade do relatório, mas alegou que ele “subestima” o êxito da operação. No Congresso americano, parlamentares cobraram transparência, após o cancelamento de reuniões sigilosas que detalhariam os resultados da missão.
Do lado iraniano, o governo garantiu que o programa nuclear continua em andamento e que os estoques estratégicos de urânio estão protegidos. Já Israel afirmou ser cedo para avaliar os danos, mas acredita ter atrasado o avanço do Irã por anos.
Apesar do clima tenso, o cessar-fogo entre Irã e Israel permanece. Representantes do governo Trump dizem acreditar em um possível acordo de paz duradouro. O conflito começou no último dia 13 com ataques israelenses que mataram centenas no Irã. Em resposta, mísseis iranianos deixaram 28 mortos em Israel.
